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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Espamação precoce

Raras vezes tive o privilégio (ou a paciência) de contemplar o engenho dos laboriosos spammers [1] que diariamente me enchem a pasta do spam com porcaria. É uma pena, digo-o com sinceridade, porque há ali tesouros incríveis. Lamentavelmente, há muito que nem sequer abro esse tipo de mensagens; o meu programa de email é bastante eficaz a separar o trigo do joio.

Hoje, no entanto, um título chamou-me a atenção:

{Ola|Bom dia} , Um cargo com um {salario|lucro} alto

"Lindo! O gajo largou-se", pensei. De facto, estava perante uma mensagem enviada por engano, formatada para ser lida, não por mim, mas por um programa de computador que seleccionaria (de forma aleatória?) várias expressões alternativas (entre chavetas e separadas por barras verticais), de forma a que cada email, enviado de forma automática, fosse diferente do anterior. Por exemplo, com o comando "{Ola|Bom dia}" o dito programa escolherá uma das duas, "Ola" ou "Bom dia", e substituirá todo o comando pela expressão escolhida. Simples não é?

Para público regozijo, enquanto salivamos pela versão corrigida, aqui fica esta maravilha de esboço – uma oferta de trabalho num grande banco japonês!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Bamos lá!

Começou no primeiro dia deste ano, num computador perto de si, mais um sítio da blogosfera.
-- E daí? Começam tantos, todos os dias...
Pois começam, milhares deles até, mas neste eu participo. Chama-se Bamos lá!
-- Ah, pronto, OK. Vamos onde?...
Agora, se tiverem a amabilidade de parar de me interromper, passo a citar o primeiro editorial do Bamos lá!:

Feito por gente sem tempo para gente sem tempo.

Uma das frases que mais se ouve nos nossos dias deste nosso mundo dito civilizado é "Não tenho tempo.", ou a equivalente, um pouco mais fina, "Estou muito ocupad@".

Não tenho tempo para tomar um café com os companheiros, amigos, palhaços.
Beber umas cervejas?! Oh! Já lá vai o tempo! Agora esgotou-se.
Não tenho tempo para ler o jornal. Que digo?! Não tenho tempo para ler, ponto. Nem mesmo no pequeno escritório onde todos os dias nos sentamos, tendo ao lado os belos folhetos publicitários dos supermercados!
Não tenho tempo para praticar exercício, nem para um passeio, nem para um concerto, nem para…

Já disse: "Não tenho tempo".

Deste lado da barricada, também sofremos do mesmo problema. Já indagámos, já corremos vielas escuras, contactámos informadores, pagámos preciosas ondas telepáticas com o altíssimo e outros que tais… Nada. Ninguém sabe onde encontrar tempo, mais tempo.

Dado o problema e com falta de soluções à vista, a ideia luminosa apareceu: Bamos lá!

Bamos lá! não é um grito do Norte. É um grito de desespero, uma fuga de um beco que parece sem saída, é a tentativa de encontrar um momento onde o tempo, pela multiplicação do diálogo, seja parado. O "v" de todos os dias dá lugar a um "b" singular, que se destaca e reivindica a sua diferença. Ambas existem, co-existem. Este é o mote para atingir uma "linguagem menor" no seio de uma "linguagem maior" (conceitos tão bem explicados e hiperbolizados pelos nossos dois amigos Deleuze & Guattari).

No meio deste uniformização que nos absorve e nos quer todos iguais, o repto é parar, observar, pensar e partilhar.

Que melhor meio do que as Artes para podermos pensar o nosso mundo em tudo o que tem de positivo, negativo, neutro (ou neutralizador?)…?

Do cinema à literatura, passando por pintura, escultura, fotografia, B.D. e outros afins, Bamos lá!: observar, pensar e partilhar essas reflexões sobre aquilo vai acontecendo à nossa volta.
Bamos lá! – reivindicar o tempo para pensar!

A Equipa do Bamos lá!
A equipa, para já, é constituída por quatro membros: F. Neto, L. Carvalho, rosanita e eu. Apareça por lá. Está em http://bamosla.blogspot.com/.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Um guia de fraudes

Quem nunca viu a sua caixa de correio electrónico cheia de lixo publicitário? Pois. Ou supostas mensagens pessoais de amigos brasileiros que não conhecemos? Ou propostas de negócios simplesmente... irrecusáveis? Vá lá, diga lá que nunca recebeu generosos e-mails de pessoas desconhecidas, prometendo quase tudo em troca de uma ninharia? Ah, e aquelas promoções extraordinárias, que às vezes ainda me tiram do sério, do género "a Sony-Ericsson oferece-te um telemóvel se enviares este e-mail para todos os teus amigos"?...

Há um lugar onde a falta de (in)formação encontra a ingenuidade, e é assustadora a quantidade de gente que ainda lá vive.

Por isso, baseada num original australiano, a Direcção-Geral do Consumidor elaborou O Livro Negro dos Esquemas e Fraudes na Net, com o subtítulo Um Guia de Fraudes, Vigarices, Trapaças, Burlas, Intrujices, Logros e Desfalques para Uso do Consumidor. De leitura bastante fácil, recomendo-o a toda a gente, até aos internautas mais experientes - é sempre bom estar alerta e aprender coisas novas. Aos outros, a sua leitura pode ser essencial, não só para evitarem situações manhosas, mas também porque os primeiros já passavam bem sem certos forwards. Leiam, por favor. Qualquer dúvida, perguntem.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Bitaites

De vez em quando, para arejar, gosto de alargar os meus horizontes blogosféricos. Seja através dum motor de busca, ou dos favoritos de alguém, parto à aventura e raramente deixo de me surpreender. Hoje partilho com vocês um blog que descobri há pouco tempo. Por não morrer de amores por certos blogueiros famosos, superstars neste país de vira-casacas e papa-açordas, tive, ao início, grande relutância em dar crédito a tops ou boas críticas na imprensa. Assim me foi passando ao lado um Bitaites, que parece que começou por ser um blog sobre informática. Já não é e ainda bem. O autor, Marco Santos, escreve agora sobre tudo o que lhe apetece. Escrita clara e de bom gosto num site bem desenhado, é uma referência da blogosfera em língua portuguesa.

Sobre o recente assalto a uma dependência do BES, Marco Santos escreve:

Bem sei que somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas e que há muitas pessoas com dificuldades na vida que não pensam em assaltar um banco e fazer reféns; mas não consigo condenar com tanta facilidade um ser humano partindo apenas da ideia de que o mundo está dividido entre crianças que querem ser astronautas e as outras que querem ser más quando forem crescidas.

Sensibilidade e bom senso (inteligência, afinal) são qualidades que aprecio. Se aliadas à frontalidade, então eu rendo-me.

quinta-feira, 2 de março de 2006

Manias

Desafiado pela minha querida Perséfone, cá estou eu com muito gosto a revelar-vos algumas... manias. Primeiro as regras:

"Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento". Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog."

Agora elas:

Mania #1
Tentar mudar o Mundo. Sei que demora, que preciso de ajuda, que não hei-de viver o suficiente para ver a obra, mas ainda não desisti. Esta mania é um caso particular da seguinte, mas é importante que chegue para ser dita à parte.

Mania #2
Não desisto de um objectivo importante, mesmo quando as perspectivas são más... Ok, há excepções, mas a verdade é que, em geral, sou mais teimoso que um burro.

Mania #3
Guardo para a noite todo o trabalho que exija raciocínio ou criatividade: estudo, relatórios, poesia... Sou tão noctívago que por vezes até dou por mim a fazer arrumações ou limpezas depois da meia-noite. E de manhã custa a levantar, pois é...

Mania #4
Ando sempre a ouvir música. E tenho fases, em termos de estilos ou grupos. De momento estou numa de Ornatos Violeta. "Isto é só um copo, eu não bebi demais / Pensei que era diferente e são todas iguais / Escrevi canções sobre ela, mil noites sem fim / Deixou-me neste bar a cantá-las pra mim / Doce uuu uuuuuu uuuuu..." Vamos com calma, isto há-de passar. Lembro-me que passei o último Verão a ouvir Pink Floyd... e passou!

Mania #5
Calçar meias escuras. Não aprecio meias que não sejam pretas ou cinzentas escuras. Detesto meias brancas ou com bonecos.

Mania #6
Pego no Público, viro-o de costas, leio (ou releio) a tira do Calvin, depois recuo umas vinte páginas e leio as últimas do grande FCP (outra mania, o FCP?), ignorando orgulhosamente a foto do político ridículo que aparece na capa.

Mania #7
Subverter as regras, violar as leis ou, no mínimo, questioná-las. É por isso que vos vou contar oito manias em vez de cinco.

Mania #8
Tenho a mania de responder quando alguém chama:
-- Meu Deus?!...

...

Não me parece que isto me diferencie do comum dos mortais, mas enfim... Ooops! Reparei agora que tenho de desafiar mais cinco bloggers para partilharem também as suas manias conosco. Huuum, vou convidar só dois, pois me parece que este tema sai fora do âmbito de outros blogs. Por exemplo, o Gonçalo tem um belíssimo blog de fotografia, e não me parece bem ele ir falar das suas manias em tal sítio, não é? Então os felizes contemplados são (ta-da!):

Pedro do Mar
SweetSerenity (espero que isto sirva para um regresso...)

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

6ª edição do beco

Custou, mas já está. Nova edição do beco, com algum palavreado novo (dois textos e meia dúzia de poemas novos) e, principalmente, uma avalanche de belíssimas fotos na remodelada secção de imagens.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Quantos poemas tem a noite?

Tenho o estranho prazer de não conhecer esta Sherazade que tão facilmente encanta quem a lê. Que dure mil vezes mil e uma noites este blog:

http://quantospoemas.blogspot.com/

terça-feira, 26 de abril de 2005

Livros, livros, livros

Resolvi aderir ao questionário livresco da nossa blogosfera. É que isto é giro. Primeiro, porque acabamos por conhecer um pouco das pessoas que vamos encontrando pela Internet. Humanizando-as. Isso é muito importante. Depois, porque vamos dando aos outros sugestões. Quem não gosta de recomendar a alguém algo que apreciou?

Portanto, cá vai:

1 - Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Eu não quero nem queria ser um livro. Mas se tivesse mesmo que ser, então seria um livro de poemas de amor, da minha autoria. Já viram isto, um livro autor de si mesmo? E o primeiro poema seria o do artigo anterior, dedicado a uma mulher... que me ilude.

Isto independentemente de alguém querer queimar o livro (Fahrenheit 451), ou a mim. As Inquisições só queimam o que não podem matar. O amor e a liberdade são imortais.

2 - Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Lembro-me do protagonista de "O Fio da Navalha", de W. Somerset Maugham, que li quando a barba ainda estava a começar de me aparecer na cara. Larry era um rapaz com tudo para ter aquilo a que se chama uma vida de sucesso: uma carreira, uma mulher que o amava, uma família que o apoiava. Mas ele não quis o fácil, o óbvio. Numa aparente loucura autodestruidora, Larry quis testar os seus limites, descobrir o mundo. Descobrir-se. Este romance, e esta personagem em particular, marcaram-me bastante, embora o Larry não seja "o meu herói".

Quem não é certamente a minha heroína é a Kate, de "A Leste do Paraíso", de John Steinbeck. Mas impressionou-me e de que maneira, a forma extraordinária como o autor conseguiu criar uma personagem tão perfeitamente maquiavélica na perseguição dos seus objectivos. Kate é a (quase?) total ausência da ingenuidade que nos faz sociáveis e humanos. Toda uma vida de actos premeditados, sem afecto, nem piedade. A pessoa mais cruel que eu já li.

Além do Larry e da Kate, lembro-me dos dois protagonistas de "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera (Tereza e Tomás, se bem me lembro), apaixonados, em luta com a hipocrisia do Estado e da sociedade.

3 - Qual foi o último livro que compraste?
"Microelectronics Circuits", de Adel Sedra e K. C. Smith. Ah! Ah! Puro terror da primeira à última página!

Infelizmente, eu não costumo comprar livros. Quando penso nisso, a minha carteira diz-me que são caros. No entanto, sou cliente habitual das bibliotecas públicas.

4 - Qual o último livro que leste?
"Dádiva Divina", do Rui Zink. Que me desiludiu um bocadinho, confesso. Aquele desenlace deixa muito a desejar. Há ali detalhes que, enfim... Mas, de resto, um policial muito bem escrito, irónico, moderno, à Rui Zink.

5 - Que livros estás a ler?

Estou a reler a antologia "Poesia Completa", de Miguel Torga. É um reencontro com o primeiro poeta que li voluntariamente, o que me causa muito prazer e emoção. E enquanto mato as saudades, selecciono alguns poemas para publicar brevemente no beco.

6 - Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.

Se eu fosse viver para uma ilha deserta, não levaria livros, levaria uma pessoa (Há voluntárias? Eu disse voluntárias...). Se eu fosse viver para uma ilha deserta, e pudesse levar livros, levaria um manual de sobrevivência. Acho que ia precisar... Ia custar-me mais a ausência de pessoas do que a ausência de livros. Ainda assim, talvez fosse importante levar uns cadernitos e umas canetas. É que quando estou só, tenho tendência para escrever muito, e não me parece boa ideia escrever nas paredes das cavernas.

...

Huuum, tá bem, a ideia da pergunta era eu dizer que cinco livros levaria, se tivesse que levar cinco livros. Então, levava:

"A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera;
"As Vinhas da Ira", de Steinbeck;
"1984", de George Orwell;
"O Ano da Morte de Ricardo Reis", do nosso José Saramago;
Uma gorda antologia poética que incluísse, obrigatoriamente poemas de Eugénio de Andrade, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa (que ainda não conheço tão bem quanto dizem que merece) e toda "A Invenção do Amor e Outros Poemas" de Daniel Filipe. Mai nada.

7 - Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Passo o testemunho a quem, depois de ler isto, queira fazer o mesmo. Como eu fiz (li aqui). Mas também espero que leiam isto mais do que de três pessoas (querias...)! Mas serão certamente pelo menos três, as que o farão.

O porquê ficou dito no início.

Hasta!



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