segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Quando eu for grande
Quando eu for grande, quero ser funcionário público. Não que queira tornar-me lambão, mas agrada-me ter essa possibilidade. E porque gosto de me sentir moralmente superior a quem é.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Andanças
Terminou no passado dia 10 de Agosto a 13ª edição do festival Andanças, que acontece anualmente em Carvalhais, S. Pedro do Sul.
Para quem não conhece, o Andanças é uma festa de músicas e danças tradicionais de todo o Mundo, uma alegre celebração multicultural que, acreditem ou não, motiva as pessoas à participação. Se a apatia é possível noutros festivais de Verão, na a aldeia de Carvalhais ela fica à porta. Não vamos ao Andanças para ver, mas sim para fazer.Passar algum tempo no Andanças é uma expreiência inesquecível. Os dias começam com workshops dos mais variados géneros de dança,
mas não só; yoga, massagens, ou meditação podem ser boas opções para recuperar de uma noite longa. Cada um é livre de fazer o que quiser, se e quando quiser. Durante a tarde, as aulas continuam. E todos participam, arrisco dizer. Novos e velhos, alternativos ou nem tanto, todos podem experimentar uma quantidade impressionante de danças: do fandango ribatejano às elegantes danças mímicas indianas, passando pela energia brutal e contagiante dos ritmos tribais africanos. Para quem não achar interressante, pelo menos, compreender um pouco da cultura tradicional de um país longínquo, o Andanças definitivamente não serve...
À noite, começa a festa a sério. Bailes, concertos, festas onde cada um, sem vergonha e sem censuras, pode pôr à prova aquilo que aprendeu durante o dia, ou apenas improvisar, dar asas à imaginação e aos pés, porque a noite não acaba. A tenda e o saco-cama podem esperar, o Andanças só dura uma semana.Devo dizer que fiquei muito bem impressionado com a organização do festival. Bom ambiente, boa onda, é mesmo isto o que se sente no recinto e no acampamento. Raros são os excessos de álcool, talvez porque apenas é permitido beber fora das pistas de dança, motivando as pessoas à diversão e não à bebedeira.
Cinco estrelas para a higiene. Não há dúvidas que o grande ênfase dado à preservação do ambiente teve os seus frutos. O Andanças é ecológico ao ponto de quase não serem usados materiais não recicláveis, como copos de plástico, por exemplo. Há desconto nas refeições para quem levar prato e talheres, e quem quiser beber leva copo, senão não bebe! Eh, eh! Ou aluga uma das famosas e mui elegantes canecas (ver imagem acima) fornecidas pela organização. Organização que, diga-se, é formada essencialmente por voluntários, logo prestáveis e simpáticos, o que por si só valoriza o espírito comunitário do evento.Muito mais haveria a dizer, mas fico por aqui. Deixo ao leitor o convite para lá ir em 2009 e viver uma experiência inesquecível de música, dança, convívio e... ar puro, para variar. No Andanças, o difícil é escolher, e o principiante incauto, que se entusiasme em demasia à chegada, corre o risco de ficar sem gasolina logo ao segundo dia. Acreditem, eu sei! Mas não há problema: é descansar... para recomeçar!
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Hoje apetecia-me...
... cantar a Ravachola.
Dansons la Ravachole,
Dansons la Ravachole,
Vive le son D’l’explosion!
Ah, ça ira, ça ira, ça ira,
Tous les bourgeois goût’ront d’la bombe,
Ah, ça ira, ça ira, ça ira,
Tous les bourgeois on les saut’ra...
On les saut’ra!
Link: François Claudius Koeningstein, "Ravachol" (Wikipedia)
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11:42
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
Parabéns, ainda
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Unknown
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15:29
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quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Não te dei rosas
Não sei se devia fazer isto, mas já me habituei a viver apesar das incertezas, a descobrir novas incertezas e até -- cúmulo da ilusão -- a viver delas. O certo é que há uns anos criei o hábito de, regularmente, presentear os meus amigos com pequenas colecções dos poemas que ia escrevendo. A última vez que o fiz foi há seis anos, ainda não havia blog, nem tinha nascido o Gato Preto, de modo que já se ia tornando urgente ceder a uma certa tentação de partilha -- ou àquele exibicionismo carente que, frequentemente, me leva a publicar neste blog algum material de qualidade duvidosa. Não sei avaliar se é o caso. Nem pretendo que outros o façam, o meu egoísmo não mo permite. Tão somente decidi que era tempo de parar de pensar que os poemas que escrevi nestes anos, e em particular durante 2004, seriam destinados a ficar para sempre escondidos à sombra da vergonha e do arrependimento.
A poesia que escrevo é ficção. Sempre foi. Mas basear-se-á sempre na realidade da minha vida, e quem me conhece bem poderá facilmente encontrar-me em quase tudo o que escrevo. Pessoalmente, há muito que deixei de me censurar. Pois decidi que não continuarei a fazê-lo ainda naquilo que escrevo, independentemente do tema, do desenlace, das outras pessoas envolvidas. Sou livre.
O livrinho (pdf) que vos ofereço contém alguns poemas que já foram publicados no beco, além de outros completamente inéditos. Quase inéditos até para mim, que tanto me inquietei ao relê-los, tal a ingenuidade. Agora já não são meus, são nossos.
Adelino / Gato Preto
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Um breve momento
Não é fácil dizer uma amizade por palavras. As palavras são tão pequenas. E então as minhas! As minhas devem ser ainda mais redondas e fúteis, à força de as tentar seduzir, de me dar ao desplante de querer ser um poeta... Pois é amigo, além do mais as palavras são difíceis, caprichosas, e por vezes tão belas, como as mulheres que ao longo destes anos (nós) desejámos. Como as mulheres que (tu) conquistaste durante estes anos loucos, demasiado poucos para que a vida se esgote aqui.
A vida. Conheci-te na época mais difícil da minha. Andávamos os dois à deriva, ingénuos demais para este sistema de merda que nos ia engolindo. Mas se tu és ambicioso, eu sou orgulhoso, e nunca aceitámos a derrota. Alimentaste em ti uma autoconfiança que alguns confundem com presunção e que é aquilo que tens de mais precioso. A chama que ofusca a timidez. A energia que te há-de fazer ultrapassar as limitações, que te manterá a salvo dos mesquinhos. E eu que, como tu, dobro mas não quebro, sempre me inspirei na confiança que tens em ti, apesar das adversidades. Percebi que não é justo sermos condenados pela ousadia de amarmos a vida e de a querermos viver tanto, muito mais que a maioria das outras pessoas. Tu queres ser feliz. Não interessa o que dizem. Vais conseguir.
O que escrevi atrás reforça-se na certeza de que jamais pisarás alguém para subir. És leal, a tua humanidade é a maior qualidade que possuis. Não és modesto -- sorte a tua --, mas tens uma ética. Não a percas.
Este breve momento está a acabar. Este breve momento feito de breves e risíveis momentos que recordarei um dia com saudade. Tudo foi o que teve que ser, o que interessa é agora. temos a vida toda à nossa frente, o futuro é nosso. Vamos saborear os agoras que hão-de vir com ainda mais paixão, insaciáveis até ao fim.
Boa sorte. Eu, para mim, não preciso de sorte, enquanto puder contar com a amizade de pessoas como tu. Siga. Isto foi só o começo.
quinta-feira, 2 de março de 2006
Manias
Desafiado pela minha querida Perséfone, cá estou eu com muito gosto a revelar-vos algumas... manias. Primeiro as regras:
"Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento". Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog."
Agora elas:
Mania #1
Tentar mudar o Mundo. Sei que demora, que preciso de ajuda, que não hei-de viver o suficiente para ver a obra, mas ainda não desisti. Esta mania é um caso particular da seguinte, mas é importante que chegue para ser dita à parte.
Mania #2
Não desisto de um objectivo importante, mesmo quando as perspectivas são más... Ok, há excepções, mas a verdade é que, em geral, sou mais teimoso que um burro.
Mania #3
Guardo para a noite todo o trabalho que exija raciocínio ou criatividade: estudo, relatórios, poesia... Sou tão noctívago que por vezes até dou por mim a fazer arrumações ou limpezas depois da meia-noite. E de manhã custa a levantar, pois é...
Mania #4
Ando sempre a ouvir música. E tenho fases, em termos de estilos ou grupos. De momento estou numa de Ornatos Violeta. "Isto é só um copo, eu não bebi demais / Pensei que era diferente e são todas iguais / Escrevi canções sobre ela, mil noites sem fim / Deixou-me neste bar a cantá-las pra mim / Doce uuu uuuuuu uuuuu..." Vamos com calma, isto há-de passar. Lembro-me que passei o último Verão a ouvir Pink Floyd... e passou!
Mania #5
Calçar meias escuras. Não aprecio meias que não sejam pretas ou cinzentas escuras. Detesto meias brancas ou com bonecos.
Mania #6
Pego no Público, viro-o de costas, leio (ou releio) a tira do Calvin, depois recuo umas vinte páginas e leio as últimas do grande FCP (outra mania, o FCP?), ignorando orgulhosamente a foto do político ridículo que aparece na capa.
Mania #7
Subverter as regras, violar as leis ou, no mínimo, questioná-las. É por isso que vos vou contar oito manias em vez de cinco.
Mania #8
Tenho a mania de responder quando alguém chama:
-- Meu Deus?!...
...
Não me parece que isto me diferencie do comum dos mortais, mas enfim... Ooops! Reparei agora que tenho de desafiar mais cinco bloggers para partilharem também as suas manias conosco. Huuum, vou convidar só dois, pois me parece que este tema sai fora do âmbito de outros blogs. Por exemplo, o Gonçalo tem um belíssimo blog de fotografia, e não me parece bem ele ir falar das suas manias em tal sítio, não é? Então os felizes contemplados são (ta-da!):
Pedro do Mar
SweetSerenity (espero que isto sirva para um regresso...)
sexta-feira, 7 de outubro de 2005
A sério?!... (teste 3)
| Your Ideal Relationship is Serious Dating |
But you may be ready in a couple of years. You prefer to date one on one, with a commitment. And while chemistry is important, so is compatibility. |
Simple as that (teste 2)
| You are an Atheist |
You prefer to think about what's known and proven. You don't need religion to solve life's problems. Instead, you tend to work things out with logic and philosophy. |
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Unknown
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22:08
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quinta-feira, 6 de outubro de 2005
Oh, que surpresa... (teste 1)
| You Are 70% Weird |
But you wig out even the biggest of circus freaks! |
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Unknown
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20:00
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segunda-feira, 3 de outubro de 2005
Electrónica aplicada
segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Alive and kicking
Não, de facto ainda não morri. Nem morrerria agora, ainda que me pagassem. Pessoalmente, sinto-me tão espantosamente bem, que morrer seria um desperdício. Para mim e para o resto da Humanidade -- mas principalmente para mim. Lembro-me de mim desiludido e resignado, a uma tal magnitude que quase chegava a ter pena de mim... Assusto-me da facilidade com que este eu arrogante e extrovertido caía fulminado por qualquer desaire, qualquer dificuldade, pela simples subtileza de um olhar gelado. Mas o Sol acende às vezes em nós uns pedaços de lucidez, de coragem. Agora continuo desiludido, mas determinado. Vivo. E determinado.
De resto, sejamos sérios, eu não podia abdicar de continuar a viver neste planeta maravilhoso, assistindo a tão risíveis filmes e tão bizarros actores. Por Alá, que seria de mim -- e que tédio, senhores -- se não fossem os Big Brothers (os da TV e o outro), os incêndios (o que arde cura, sempre ouvi dizer), as roubalheiras (as descaradas e as envergonhadas), as leis (que não são abortos mas sim salsichas), o bin Laden, o seu amigo Bush Júnior (e as bombas com que ambos nos animam os telejornais), o BritCom, os fazedores de opinião, os Marcellos (não sei se ainda leva dois L), os Hermanos (não os nuestros, mas os Saraivas), os Salazaritos e os Estalinezitos, os centristas, os vendidos (perdoem a repetição), os boys, os toys, os futebóis, os majores, os capitães (Abril, águas mil), os Avelinos, as Fátimas (a virgem imaculada e a que nem tanto), os velhos senadores (e o fabuloso duelo intergaláctico), os banqueiros do povo (que tanto fazem em prol da criatividade em anúncios de TV), as tias (as ôcas) e as vacas loucas, os frangos do Ricardo...
Andei tanto tempo a queixar-me, e sem razão. Sob pena de me vir a tornar num velho chato e resmungão, tenho que ver as coisas doutra maneira. Toda esta riqueza, esta diversidade, só pode ter em mim duas consequências: uma longa gargalhada, e muita, muita determinação.
segunda-feira, 2 de maio de 2005
Eternamente Jorge
Academia de Aveiro, Semana do Enterro do Ano. O pavilhão não tem as mínimas condições sonoras para lá se realizarem concertos, mas é o nosso pavilhão. A nossa festa. Eu lá estive, como no ano passado, a ver o Jorge. Quando o gajo entrou no palco, juro-vos que parecia que ele estava normal. Mas, veio a provar-se que o Jorge Palma nunca é normal. Ainda bem. É asssim que eu gosto dele.Foi um belo concerto, numa porcaria de recinto. Associação Académica e Câmara Municipal, acabem com isto, por favor. (E, Jorge, se leres isto, desculpa lá a falta de convicção dos meus colegas a pedirem o encore. A frouxidão já é tradicional na academia aveirense.)
Fiquem com a minha preferida dele.
O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós
O espaço tem o volume da imaginação
Além do nosso horizonte existe outra dimensão
O espaço foi construído sem princípio nem fim
Meu amor, huuum, tu cabes dentro de mim
O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar
A nossa história começa na total escuridão
Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão
A nossa história é o esforço para alcançar a luz
Meu amor, o impossível seduz
O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar
O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Eternamente tu
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Unknown
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15:30
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terça-feira, 26 de abril de 2005
Livros, livros, livros
Resolvi aderir ao questionário livresco da nossa blogosfera. É que isto é giro. Primeiro, porque acabamos por conhecer um pouco das pessoas que vamos encontrando pela Internet. Humanizando-as. Isso é muito importante. Depois, porque vamos dando aos outros sugestões. Quem não gosta de recomendar a alguém algo que apreciou?
Portanto, cá vai:
1 - Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Eu não quero nem queria ser um livro. Mas se tivesse mesmo que ser, então seria um livro de poemas de amor, da minha autoria. Já viram isto, um livro autor de si mesmo? E o primeiro poema seria o do artigo anterior, dedicado a uma mulher... que me ilude.
Isto independentemente de alguém querer queimar o livro (Fahrenheit 451), ou a mim. As Inquisições só queimam o que não podem matar. O amor e a liberdade são imortais.
2 - Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Lembro-me do protagonista de "O Fio da Navalha", de W. Somerset Maugham, que li quando a barba ainda estava a começar de me aparecer na cara. Larry era um rapaz com tudo para ter aquilo a que se chama uma vida de sucesso: uma carreira, uma mulher que o amava, uma família que o apoiava. Mas ele não quis o fácil, o óbvio. Numa aparente loucura autodestruidora, Larry quis testar os seus limites, descobrir o mundo. Descobrir-se. Este romance, e esta personagem em particular, marcaram-me bastante, embora o Larry não seja "o meu herói".
Quem não é certamente a minha heroína é a Kate, de "A Leste do Paraíso", de John Steinbeck. Mas impressionou-me e de que maneira, a forma extraordinária como o autor conseguiu criar uma personagem tão perfeitamente maquiavélica na perseguição dos seus objectivos. Kate é a (quase?) total ausência da ingenuidade que nos faz sociáveis e humanos. Toda uma vida de actos premeditados, sem afecto, nem piedade. A pessoa mais cruel que eu já li.
Além do Larry e da Kate, lembro-me dos dois protagonistas de "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera (Tereza e Tomás, se bem me lembro), apaixonados, em luta com a hipocrisia do Estado e da sociedade.
3 - Qual foi o último livro que compraste?
"Microelectronics Circuits", de Adel Sedra e K. C. Smith. Ah! Ah! Puro terror da primeira à última página!
Infelizmente, eu não costumo comprar livros. Quando penso nisso, a minha carteira diz-me que são caros. No entanto, sou cliente habitual das bibliotecas públicas.
4 - Qual o último livro que leste?
"Dádiva Divina", do Rui Zink. Que me desiludiu um bocadinho, confesso. Aquele desenlace deixa muito a desejar. Há ali detalhes que, enfim... Mas, de resto, um policial muito bem escrito, irónico, moderno, à Rui Zink.
5 - Que livros estás a ler?
Estou a reler a antologia "Poesia Completa", de Miguel Torga. É um reencontro com o primeiro poeta que li voluntariamente, o que me causa muito prazer e emoção. E enquanto mato as saudades, selecciono alguns poemas para publicar brevemente no beco.
6 - Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.
Se eu fosse viver para uma ilha deserta, não levaria livros, levaria uma pessoa (Há voluntárias? Eu disse voluntárias...). Se eu fosse viver para uma ilha deserta, e pudesse levar livros, levaria um manual de sobrevivência. Acho que ia precisar... Ia custar-me mais a ausência de pessoas do que a ausência de livros. Ainda assim, talvez fosse importante levar uns cadernitos e umas canetas. É que quando estou só, tenho tendência para escrever muito, e não me parece boa ideia escrever nas paredes das cavernas.
...
Huuum, tá bem, a ideia da pergunta era eu dizer que cinco livros levaria, se tivesse que levar cinco livros. Então, levava:
"A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera;
"As Vinhas da Ira", de Steinbeck;
"1984", de George Orwell;
"O Ano da Morte de Ricardo Reis", do nosso José Saramago;
Uma gorda antologia poética que incluísse, obrigatoriamente poemas de Eugénio de Andrade, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa (que ainda não conheço tão bem quanto dizem que merece) e toda "A Invenção do Amor e Outros Poemas" de Daniel Filipe. Mai nada.
7 - Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Passo o testemunho a quem, depois de ler isto, queira fazer o mesmo. Como eu fiz (li aqui). Mas também espero que leiam isto mais do que de três pessoas (querias...)! Mas serão certamente pelo menos três, as que o farão.
O porquê ficou dito no início.
Hasta!
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Unknown
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11:12
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segunda-feira, 4 de abril de 2005
Your time is running out
O caso é que ando a arrastar-me dolorosamente por uma zona complicada da minha existência. Como eu tenho pena da malta que tem tido o mau gosto de me aturar nos últimos tempos. Não deve ser nada bonito de ver, não senhor. Mas, então o que se passa, perguntarás. Resumindo numa frase, se calhar a rotunda é só uma curva, a curva imediatamente antes da recta final da minha juventude.
Desde que sei pensar (?) que sou gajo para ter ideias originais ou, pelo menos, pouco convencionais. Por exemplo, sempre odiei solenemente a ideia de ter uma profissão aborrecida, uma rotina chata (desculpa a redundância), um horário, meu deus, um horário! Quando eu tinha dezasseis anos, desenhava o futuro de forma simples e vaga -- i.e, perfeita: tirar um curso superior, arranjar um emprego bem pago, ganhar uma pipa de massa em meia dúzia de anos, depois pôr uma mochila às costas e partir à descoberta do mundo. De preferência acompanhado da mulher da minha vida. Férias vitalícias. Que bonito! Dez anos depois...
Ah, enganas-te! Dez anos depois, nada mudou. Continuo o mesmo inadaptado, o mesmíssimo utópico. As utopias variam um bocadito, evoluem, mas o espírito é o mesmo. Assusta-me quase sempre vagamente o facto de não me preocupar absolutamente nada com a perspectiva de eu ser um falhado em potência. Mas, por vezes -- e é o caso presente, amiga blogueira --, por vezes fico em pânico. Há dez anos atrás, se queres saber a minha opinião, eu era um puto banal, tímido, embora irrequieto, irritante até, de ideias a tender para o simples, mas muito pouco influenciável. Mesmo muito pouco. Agora, sinto-me a perder isso, a perder a minha independência!
Que bizarro. Pensando bem, tudo isto é óbvio. A verdade curta e grossa é que estou a ficar velho (leia-se adulto). No entanto (e segue-se uma confissão muito delicada), tenho mais medo da reacção das outras pessoas em relação a isso, do que propriamente das implicações físicas ou mentais que isso me traga directamente... Lá está: influenciável. Deixei o meu planetazinho ideal à prova de bala, à prova de tudo, e caí de cu na realidade.
Deixa-me contar-te uma. Imagina que um dia destes fiquei revoltadíssimo quando vi um escuteiro, fardado, pois claro, que seguia com os seus camaradas numa excursão, no mesmo autocarro que eu (de autocarro, pois claro), divertidíssimo, o estafermo, a destruir a porcaria do regulador de ar condicionado do lugar dele. Epa, subiram-me cá uns calores! Mas calei-me, eles eram muitos (muitas, sobretudo, ah, ah). Mas francamente, um escuteiro! Um escuteiro nunca mente. Um escuteiro ajuda velhinhas a atravessar a estrada. Um escuteiro faz pelo menos uma boa acção por dia. Eu acho que não me estou a fazer entender. A sério. Eu detesto escuteiros. Ou melhor: eu detesto os escuteiros, o grupo. Tal como detesto o exército. O problema é que normalmente eu ficaria a rir-me da situação e, se tivesse uma câmara de vídeo à mão, aquilo seria notícia de abertura do telejornal. "Grave crise no Corpo Nacional de Escutas, despoletada pela destruição de um autocarro da Rede de Expressos por um escuteiro em fúria. O indivíduo em causa tinha já antecedentes criminais, nomeadamente..." Com exageros e tudo. Mas não, bolas! Em vez de me divertir cínicamente, deu-me para uma de moralizar. Um escuteiro, ainda por cima, valha-me deus!...
De modo que estas reflexões me têm deixado pouco tempo (paciência?) para a prosa. Terá sido isso e...
5ª Edição!
Este também deu algum trabalho, embora menos. Não foi assim nada de especial.
...
OK, eu não sei mentir, tenta esquecer o que leste até agora. Tudo isto são desculpas. A razão pela qual eu não tenho escrito no blog é o facto de eu ter passado um mês inteirinho a ouvir o Shoot Down dos Prodigy (com os irmãos Gallagher, dos Oasis), em altos berros, umas quinhentas vezes por dia. É claro que fiz uma pausa para recordar os Ornatos :) mas, sinceramente, já nem me lembro das músicas deles que, a propósito, adoro. "Shot the gun / Shot the gun to the bang, bang, bang / Shot the gun / Shot the gun to the bang, bang, bang / ... / Too many tied to the / Too many tied to the bang, bang, bang / ... / Your time is running out", é tudo quanto sei. Vago, simples e hipnótico, como (me) convém. Perfeito. Além de que (outra confissão), a minha rotunda tem afinal um monte de saídas, e eu resolvi ir por todas ao mesmo tempo...
Agora uma palavrinha para ti, que provavelmente és a única pessoa que terá curiosidade para ler isto tudo até ao fim: obrigado pelo protesto. Deu frutos. O texto ficou uma bela merda, sem dúvida, e fiz um enorme esforço para parecer lunático -- normalmente isso é espontâneo! Mas nem tudo é mau. Graças ao empurrãozinho, por ter dito estas banalidades já me sinto melhor. Desabafei. Estou confiante. Sinto-me mais maduro.
Mais... adulto.
...
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!...
;)
(Obrigado. Um beijinho.)
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Países temporários
Desde puto que gosto de sentir o espaço recuar à minha volta. Recordo com prazer o fascínio que me inspiravam as orgulhosas multidões de pinheiros passando por mim em sentido contrário, correndo firmes e verticais, ultrapassando casas e montanhas, num pacífico espectáculo marcial.
Tinha dez anos quando comecei a viajar regularmente em transportes públicos. Ainda me lembro bem das velhas carreiras da Rodoviária Nacional, cujos trovejantes motores e rígidas suspensões rapidamente monopolizavam a atenção do utente, em desfavor das vistosas riscas laranja da carroçaria. Muitos anos depois, continuo a apreciar a sensação de habitar, ainda que por breves momentos, esse pequeno monstro instável, sujeito aos caprichos atmosféricos, às ratoeiras da estrada e à perícia do motorista: o autocarro de passageiros. Ali vive-se, enquanto se viaja. É como um pequeno país a deslocar-se. E tudo pode acontecer! Mais tarde hei-de contar-te como me aconteceu apaixonar-me a bordo dum expresso...
Quando acabei o liceu, apaixonei-me também pela segurança e disciplina do mais potente e igualitário veículo terrestre de transportes: o comboio. De facto, salvo algumas batotas, nos caminhos de ferro não há ultrapassagens! Pois é, há classes separadas nos comboios mas, sinceramente, isso não me preocupa muito: ao luxo e à etiqueta prefiro o convívio com as pessoas e a liberdade de pôr os pés no banco da frente. Ups! Vem aí o revisor! Sou um privilegiado por viajar em segunda classe...
Portugal tem talvez a mais miserável rede de transportes públicos da Europa ocidental, com serviços de baixa qualidade e pouco pontuais, pagos a preços que os construtores de automóveis agradecem. Mas eu gosto, mesmo assim, de andar de comboio. Quase sempre disfruto da viagem sem me preocupar seriamente com mais nada. Esqueço de onde venho e para onde vou. Este feitiço começa naquele lugar impressionante, na magnífica estrutura metálica enxameada de pessoas e bagagem, o limbo onde se cruzam, convergem ou começam os trilhos que levam à esperança e à saudade. O semi-lugar onde tudo começa e acaba: a estação de caminhos de ferro. E o encantamento continua, durante a viagem. Sigo embalado pelo ritmo nervoso das carruagens (que já foi muito mais nervoso!), o deslizar infernal das rodas nos carris, aço batendo no aço, enquanto pessoas, carros, casas, árvores, montanhas e cidades vão ficando para trás. Só este país temporário avança, rasgando a atmosfera. Repara que tudo aqui é mais autêntico nas pessoas, a novidade faz-nos assim. E cada viagem é uma novidade.
E por mais herméticos e deprimentes que os tornem, nos países temporários sobre rodas hei-de continuar a alimentar a ilusão de que os pinheiros andam mesmo. Pelo menos, enquanto houver pinheiros.
sábado, 18 de dezembro de 2004
Sobre o blog
O blog
O Blog do Gato Preto nasce na ingenuidade e no improviso, lá bem no alto da minha arrogância. Da necessidade de afirmação pública das minhas convicções, das minhas dúvidas, das minhas paixões. Tão simples quanto isto.
Ainda vos digo que, mais que o órgão oficial da minha revolta, a revolta que sinto e que sinto ter o direito de ter, o Blog do Gato Preto é uma partilha. Jamais será este site a voz de outro que não eu. Querendo, muitos facilmente me situarão num qualquer ideário, político ou social -- estão no seu direito e, possivelmente, terão razão. Mas não me interessa. Estou-me nas tintas. Sempre preferi os labirintos às auto-estradas. Interessa-me, apenas, escrever como quem realmente sou. Quero a reflexão e a arte. Interessam-me no Blog do Gato Preto aqueles que buscam dúvidas para as suas certezas inabaláveis.
O autor
O autor vai falar de si na terceira pessoa, porque prefere que falem dele em vez de falar de si próprio. É extremamente modesto.
Nascido na lusa Aeminium há luas suficientes para pensar que já não é obrigado a aturar certas merdas, vai, até ver, aturando algumas. Porque se não comer, morre, é uma lei da vida. Depois de nascer, acho que não foi logo depois, inventou o amor e fez muitas asneiras, não necessariamente por esta ordem. Leu Torga e decidiu ler mais Torga, descobrindo que, às vezes, a poesia de um génio, semeada em campos inóspitos, floresce. O Padre Eterno era já finado quando o autor do blog leu Steinbeck e Hemingway, mas a sua falta já deixara de ser sentida. Passado é passado. Recordação, apenas a do ano de 1984, o trágico porvir que o generoso Eric Arthur viu e que vê quem quiser.
Amador sempre, ainda que lhe paguem, o Gato Preto é graduado em coisa nenhuma pela universidade da vida. Luzes da Ribalta, do saudoso Chaplin, é o filme da sua vida. Isto fica aqui bem, e toda a gente tem um filme da sua vida, não se pode ser diferente em tudo. Só dizer que adora Jorge Palma, o grande Jorge Palma, com quem se embebeda frequentemente sem que este saiba, e tem uma adoração quase canina por Pink Floyd. Até às estrelas, nas asas de um porco.
Nos dias que correm, é vê-lo por Lisboa, onde trabalha e vive. É vê-lo por lá, diz ele que a fazer menos asneiras, dedicando-se aos seus projectos e reinventando o amor.
Os direitos dos autores
VITOR HUGO / GATO PRETO
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