invisible invisible invisible invisible invisible invisible invisible invisible invisible invisible

a agoirar desde 2004

Busca    |    Arquivo    |    Temas    |    Ligações    |    Mediateca    |    Sobre o blog    |    RSS      |    Gosta?

Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Donos de Portugal

Começa assim:

Imagina-se a consultar a edição de um jornal económico de um futuro longínquo, digamos, 2150? É difícil antecipar o que ali encontraria. Não se adivinha o suporte das notícias, muito menos os protagonistas dos factos.

Pois imagine agora que um seu antepassado, leitor das crónicas de negócios do século XIX, regressava a Lisboa para retomar as leituras. Que espanto sentiria ele ao encontrar os mesmos nomes daquelas grandes famílias que povoavam a Baixa ou a Lapa? Será que ainda vão lá estar em 2150?
Donos de Portugal é um filme de Jorge Costa, baseado no livro de que é co-autor, narrado pelo inigualável Fernando Alves. Pois que muitas estórias de encantar e cousas tantas fascinantes ficam por aprofundar, este é um apenas breve olhar sobre as grandes famiglias que há tanto tempo dominam o poder económico deste país submisso, sobrevivendo às mudanças de regime, sempre com a protecção do Estado. Não deixe de ver, que vale a pena. Está aqui, na íntegra:




Mais informação:

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Um dia tão cinzento

Foi no dia 10 de Outubro de 1999 que votei pela primeira vez numas eleições. Fui um dos pouco mais de cem mil portugueses que, cansados do Centrão pançudo e corrupto, mas desconfiados do monocórdico e pseudo-democrático Partido Comunista, acreditaram num recém-nascido movimento polítco que chamava os bois pelos nomes. Daí para cá, as minhas convicções evoluíram; já deixei de votar e duvido que o volte a fazer nas condições actuais de representatividade. (Sei que muitos não gostam, que defendem uma certa democracia-do-papelinho-de-cinco-em-cinco-anos, mas não reconheço a ninguém o direito de me obrigar a exercer... um direito! Adiante.)

Miguel Portas (1958-2012)
Miguel Portas (1958-2012). © sapo.pt

Um dos que me levaram às urnas em 99 foi Miguel Portas, de quem tenho a dizer que, aparte algumas diferenças ideológicas, sempre foi mais aquilo que nos uniu do que o que nos separou. Na acção e no discurso, cedo o vi como uma personagem à parte, um tipo duma honestidade aparente e duma decência fora do normal entre os políticos. Posso ter-me enganado, até porque nunca o conhecerei pessoalmente, mas isso hoje pouco importa.

Pela influência que teve no meu amadurecimento como cidadão e pelo exemplo de tenacidade e humildade que me inspirou, nesta hora de tristeza para quem lhe foi querido, deixo aqui uma homenagem e um agradecimento ao Miguel, que morreu ontem [1] "em Antuérpia. Na véspera do 25 de Abril que mais dele precisa de quantos 25 de Abril vivemos depois de 1974." [2] Questiono-me agora se o 25 de Abril acabou [3] mesmo ou se apenas ficou mais cinzento.

_____
Referências:
[1] Notícia no Público.
[2] Artigo de Paulo Querido no Certamente.
[3] Artigo de Rui Eduardo Paes no Bitaites.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O século do povo não dura só 100 anos

Unidos por uma mudança global, milhões de pessoas em todo o mundo desfilaram em protesto, exigindo... democracia! A comunicação social, em negação, vai dando relevo àquilo que considera essencial – as birras da PSP na escadaria do Parlamento, os confrontos de uma dúzia de pessoas com a polícia italiana, ou os golos do Benfica contra o Portimonense. Enquanto isso, lá fora, a realidade mostra-nos que a História é imprevisível, imparável, subtil, e que o século do povo pode não ter terminado ainda.

No passado sábado, pela primeira vez nesta escala e com este grau de convergência, um movimento de protesto planetário fez com que milhões de cidadãos saíssem à rua, mobilizados por palavras de ordem inimagináveis há bem pouco tempo como revolução, e colocando em hipótese heresias como consciência cívica, desobediência civil ou democracia directa. Apenas palavras, mas valiosas palavras, pois ecoaram por todo mundo e delas, não tenham dúvidas, resultarão consequências. O futuro dirá se será esta geração a pôr em prática a reforma dum sistema que, ferido, se tornará cada dia mais perigoso.


Álbum fotográfico da manifestação. Lisboa, 15 de Outubro de 2011

Em Lisboa, estima-se que terão estado nas ruas, entre o Marquês de Pombal e São Bento, cerca de 100 mil pessoas – uma pequena parte dos milhões que, por toda a Terra se cansaram do silêncio e, pela primeira vez na História, se vão dando conta de que há problemas comuns a resolver.

História. Planeta. Coisas grandes, com maiúsculas. Coisas que fazem um estrondo enorme quando caem no chão. Qualquer que seja nosso lado da barricada, será sensato tomarmos isto como um primeiro aviso sério.

Entretanto, façamos de conta que mantemos a calma e circulemos. Devagar, quer se goste ou não, o mundo vai mudando. E nada se repete.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Lembradura

Só uma lembradura, dirigida apenas a quem não acha que está tudo bem (os outros ainda têm muita austeridade pela frente até ganharem juízo):

Cartaz 15 de Outubro
15 de Outubro a Democracia sai à rua!
Mais detalhes:

sábado, 2 de julho de 2011

Ingenuidade (da taxa e do tacho)

Permitam-me uma ingenuidade.


High Voltage, por LordMeltdown

Por que raio estamos a pagar à EDP para nos cobrar um imposto? Não é suposto ser o Estado a fazê-lo? Para quê pagar a um intermediário? Isto para não falar na injustiça (ou até na ilegalidade) da mesma, que me parece gritante. Cito, a propósito, o Quintus (num artigo onde desmistifica as já famosas mensagens de e-mail sobre o cancelamento da tal "contribuição para o áudio-visual"):
É claro que a taxa em si é absurda… não só a RTP1 tem publicidade, como o seu serviço público (de qualidade duvidosa) devia ser financiado diretamente (totalmente) pelo Orçamento de Estado, não por uma dupla tributação mascarada como “taxa audiovisual”.
No entanto, os nossos governantes não são pessoas normais, possuem uma inteligência superior, portanto a roubalheira continua, e reparem como, em plena (suposta) crise, o governo anterior, em vésperas de cair, foi célere em... aumentar a despesa pública.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Nobrezas


Don Vito Corleone, por Mick Baltes (http://mickbaltes.de/blog/)

Ouvi dizer que Fernando Nobre (FN) não foi eleito presidente da Assembleia da República (AR) por falta de... experiência política. No entanto, é um dos poucos deputados que se pode gabar de ter sido sufragado directamente pelos cidadãos portugueses e, diga-se, com invejáveis resultados (16% nas presidenciais), além de ter sido cabeça de lista nas últimas eleições, também com sucesso. FN é um dos poucos deputados que são minimamente conhecidos pelos portugueses, e é também um dos poucos que não fizeram do partidarismo vida, um dos cada vez menos que fizeram algo na vida a que se possa chamar trabalho. Pois.

Por falar nisso, será que os bem-intencionados cinco milhões e meio de votantes das legislativas conhecem o curriculum vitae de Passos Coelho?

*

FN, o puro, o independente, o apartidário, após de concluir que "se não os vences, junta-te a eles", juntou-se aos vencedores. Ainda acabado chegar ao centrão, à ganância, quis ser tachista-mor e fez depender o seu mandato de deputado da eleição como presidente da AR. Previsivelmente, a máquina partidária castigou-o. Cabisbaixo, FN deu o dito por não dito e afinal fica em São Bento. [1] As máquinas partidárias, como qualquer organismo do Estado, sabem bem quem são os seus. São precisos alguns anos de submundo para se chegar a capo...

Não se é da famiglia de um dia para o outro. O homem tinha mesmo falta de experiência política.

---
[1] Actualização, 4 de Julho de 2011:
Pensando bem, gostou muito de estar ao lado do "senhor doutor Pedro Passos Coelho", mas afinal não fica.

sábado, 11 de junho de 2011

O povo quer o poder?


'Reality Show' por Gilad

Na sequência do artigo anterior, publico aqui [1] uma pequena análise de Maria Filomena Mónica (MFM) ao sistema eleitoral português. Longe do paternalismo hipócrita de Cavaco ou da chantagem da esquerda parlamentar (vote em nós senão a direita ganha e está tudo lixado), a autora fala da que é, para mim, a questão essencial para o futuro da vida pública deste país: do poder dos cidadãos, da sua representação nos órgãos de decisão e da sua capacidade de intervenção nos mesmos. Ciente, como no fundo todos nós, que monstro velho não aprende modas, MFM diz-nos que a única forma de se mudar a lei eleitoral é através da opinião pública. Temos de explicar, clara e sucintamente, que o atual sistema é negativo, porque nos retira poder. A melhoria não virá de dentro.

Perante isto, surgem-me algumas dúvidas: estarão os cidadãos conscientes de que o seu futuro e a sua qualidade de vida dependem de uma mudança de atitude, de maior exigência e de participação nas decisões? Estará a esquerda parlamentar, de rabinho quente, tão comprometida com o monstro, à altura dessa tarefa de consciencialização? Estará sequer interessada? E os movimentos ditos independentes ou libertários, terão capacidade para amadurecer, sair do pantanal de negação e auto-marginalização onde se afundaram?

Ou seja: o povo quer o poder? A esquerda quer que o povo queira o poder?

Tudo questões demasiado sérias, daí que não me surpreenda que ningém esteja muito preocupado com elas.

*

Estes partidos precisam de uma lição
por Maria Filomena Mónica
Expresso, 10 de junho de 2011

Há dias — quase todos — em que era melhor o Presidente da República estar calado. Eis o que, em vésperas da última eleição legislativa, resolveu dizer aos portugueses: "Se abdicarem de votar, não têm depois autoridade para criticar as políticas públicas". E se nós, cidadãos, não gostarmos das regras do jogo eleitoral em vigor? Não faz parte do meu código genético votar em branco, mas foi isso que fiz no último domingo. Por uma razão: os líderes partidários — todos — têm de meter na cabecinha a ideia de que a democracia não é deles.

Os secretários-gerais gostam de escolher os nomes que figurarão nas listas para deputados, um prémio dado à subserviência dos acólitos. Em 2010, 82% dos portugueses afirmaram estar descontentes com os partidos, mais 10% do que no ano anterior. A verificar-se a tendência, para o ano quase todos os portugueses estarão contra os partidos. A génese do atual regime foi infeliz: não fomos nós que con-quistámos as liberdades, mas os militares que, uma vez derrubado o Estado Novo, entregaram o poder aos partidos. Sem uma ligação com a população, estes aprovaram uma lei eleitoral destinada a protegê-los das tendências reacionárias do povo. Durante anteriores campanhas, o PSD e o PS afirmaram que iriam proceder a uma reforma. Uma vez no poder, não mexeram um dedo, pelo que continuamos a ter de escolher de entre a ementa cozinhada pelas maiorias partidárias. A minha voz, sei-o. não conta. Mas se milhares de cidadãos começarem a votar em branco — e foi isso que sucedeu no último domingo, com 148.058 eleitores a deslocarem-se até às mesas eleitorais para protestar — o cenário muda de figura. Luís Campos e Cunha apresentou uma boa ideia, ao afirmar que, no hemiciclo, deveriam existir cadeiras vazias correspondentes à percentagem de votos em branco na contagem global.

Se nós, eleitores, quisermos ter uma voz no Parlamento, precisamos da reintrodução de círculos uninominais (um candidato por partido e por círculo). O rei D. Pedro V que, em 1859, impôs este esquema, contra a vontade, note-se, dos partidos, morreu há muito. Hoje, não há Presidente da República, muito menos este, capaz de torcer o braço aos líderes partidários. Por conseguinte, a única forma de se mudar a lei eleitoral é através da opinião pública. Temos de explicar, clara e sucintamente, que o atual sistema é negativo, porque nos retira poder.

Se for necessário proceder-se a uma alteração constitucional — em vez dos atuais distritos teriam de existir pequenas unidades territoriais — que se avance. Mudar a Constituição não é o fim do mundo. E, por favor, não me venham com o argumento de que a criação de círculos uninominais favorece o caciquismo, em detrimento de um sistema que representaria o "interesse nacional" (um eufemismo para designar o interesse dos secre-tários-gerais). Não há esquemas perfeitos: mas o voto em alguém perto de mim dá-me uma maior possibilidade de o premiar ou punir. Não é pouco.

---
[1] Só uma nota sobre copyrights. Comprei o jornal, logo é meu e julgo que o posso emprestar a quem quiser. Além disso, ao contrário do Expresso e da restante imprensa, quando posso, identifico as minhas fontes, ainda que, como é o caso deste semanário, me causem vergonha.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O voto é um direito, mas pode ser só uma bufazita

A propósito dum tema que muita comichão me tem dado, um leitor do Bitaites dizia assim:

O voto é um direito por uma razão: para que as pessoas possam escolher entre votar e não votar.
Absolutamente verdade. Nada mais simples e claro. Chama-se, na sua essência, Liberdade. E não há que calar, não há que ter vergonha. Ripostar sempre, impiedosamente, aos que dizem "não votas, não tens direito a opinar". Há que expôr o ridículo do preconceito fascizóide da obrigação do voto, até porque, se o bom senso não chega, nos assiste a Constituição. Essa velha violentada e senil, há que esfregá-la sem dó na cara dos seguidistas e lambões que assim resmungam.


© Angeli

Num país livre, ninguém me obriga a votar. Muito menos "ir votar" assim, com aspas, esse acto puro e simples de legitimização das elites liderantes, dos tachistas sem vivência humana, dos lacaios das máfias, dos carreiristas, da abstracção monstruosa criada por décadas de demissão de um povo. Muito menos o chico-espertismo me negará o direito de exigir, no mínimo, que seja cumprido tudo aquilo que a dita Lei prevê. A cidadania, companheiros e camaradas carneiros, vai muito além da atitude preguiçosa de ir botar o papel na caixa, da farsa inócua, quase criminosa, de "votar no menos mau", essa sim, criadora do imenso vazio que tão bem conhecemos.

Ontem, na secreta certeza de que a sua participação nas decisões da vida pública (e até a sua capacidade de reivindicação, ou de protesto) se esgotaria na insutentável leveza do boletim de voto, cinco milhões e meio de cidadãos portugueses foram votar. Hoje, creio, sentem-se aliviados, como quem, às escondidas, acaba de largar uma bufa.

*

Para quem já conhece esta casa: sim, decidi regressar, mais cedo do que previa. Coisas da vida. Voltem quando quiserem, que são bem-vindos, sobretudo se vierem de Firefox 4 ou superior, caso contrário o template pode não ficar tão lindo... I'm working on it.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Grande lata

Anterozóide, por Antero

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A história das coisas (ou Zeitgeist)

Andou por aí um polémico filme sobre conspirações secretas de dominação planetária. O "documentário" causou, um pouco por toda a web, apaixonadas discussões. Quase todos tomaram partido, a favor ou contra as teorias apresentadas. Muitos tentaram -- e alguns conseguiram -- desmontar as incorrecções do filme. Feito o balanço, nada. Os críticos, mais seus umbigos, ficaram felizes, pois destruíram uma coisa que, de tão mal feita, estava mesmo a pedi-las; os defensores continuam a acreditar, porque sim, nas teorias insustentadas de um filme de propaganda que, afinal, nunca pretendeu expor o estado actual da nossa civilização. Inadequadamente, chama-se Zeitgeist. Hoje, porém, vou falar-vos de outro, que mais oportunamente se poderia chamar Zeitgeist (*).

"A nossa economia enormemente produtiva... exige que façamos do consumo a nossa forma de vida, que convertamos a compra e o uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, em consumo... precisamos que coisas sejam consumidas, queimadas, substituídas e descartadas a um ritmo sempre mais acelerado." (Victor Lebow, 1955)

A sociedade do consumo. Há muito que assim nos habituámos a designar a nossa, rendidos à evidência. Queremos coisas, muitas coisas. Compramos, temos, mas queremos mais, e compramos mais. Desperdiçamos. Ninguém o esconde. Mas afinal o que está na essência desta nossa característica? Porque raio somos escravos dos objectos? Será que somos mesmo escravos dos objectos?

The Story of Stuff (A História das Coisas) é um vídeo animado que explica de forma simples e rigorosa como funciona o grande lobby do consumismo ou, como li algures, "o caminho, ardilosamente planeado, da nossa sociedade de consumo". Mais que um apelo ao ambientalista que há em nós, este filmezinho consegue, em 20 minutos, ser o retrato perfeito da civilização ocidental dos nossos dias, um didáctico grito de alerta a uma humanidade manietada e desumanizada... voluntariamente! Nas entrelinhas, uma subtil análise sociológica. Um Zeitgeist.

O vídeo teve o patrocínio da Tides Foundation, uma ONG progressiva, não-lucrativa, dedicada ao financiamento de projectos de cariz social. O argumento e a narração são da activista Annie Leonard.

Agradeço ao Esquisito a divulgação que fez -- vale mesmo a pena! -- e peço-vos muito, muito, que vejam este vídeo com atenção. No site, em Flash ou QuickTime, ou aqui, legendado em português:

The Story of Stuff

"Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem"
(Jorge Palma, A Gente vai Continuar)

______________
(*) Zeitgeist (Wikipedia): "[...] termo alemão cuja tradução significa espírito de época ou espírito do tempo. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo."

terça-feira, 11 de novembro de 2008

American dream (a pensar morreu um burro)

A irreverente Sarah Palin, recém-derrotada na corrida à vice-presidência dos EUA, afirmou, diz o Público, que não põe de parte uma candidatura à Presidência em 2012, marcando uma posição de força como potencial sucessora do até agora palhaço-mor do reino do entretenimento político, George W. Bush. O Partido Republicano terá aqui, a meu ver, a oportunidade histórica de continuar na vanguarda da luta pela igualdade de oportunidades. Basta de se favorecerem pessoas competentes e informadas em desfavor dos completos mentecaptos e ignorantes. Todos temos direitos!

Palin assegurou ainda que "confia em Deus para lhe mostrar o caminho para a Casa Branca", o que, convenhamos, será útil, já que é sabido que a senhora não prima pelos seus conhecimentos de Geografia, não sendo certo que quatro anos sejam suficientes para recuperar o tempo perdido.

Haja fé. E lenços de papel.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Inseguranças



O Global Peace Index é um ranking global que pretende avaliar o nível de segurança de cada país. É baseado em estudos feitos por várias instituições e especialistas internacionais, avaliando indicadores concretos, internos e externos, como os níveis de crime e violência interna do país, o investimento em armamento, ou mesmo as guerras em que está envolvido.

A classificação é muito interessante, a vários níveis, mas vou aqui deter-me num país apenas: Portugal.

Feitas as contas, Portugal é considerado o sétimo país mais pacífico do Mundo, à frente, por exemplo, do Canadá, da Suíça, da Suécia e da Holanda, e distante dos vizinhos do Sul europeu, Espanha, Itália e Grécia. Subiu três posições em relação a 2007. O DN, citando o relatório de resultados diz:
  • "o número de polícias por habitante é «relativamente baixo em termos globais», embora bastante mais do que nos países nórdicos".
Isto é, apesar de termos um país seguro, temos mais polícia que os considerados mais pacíficos, seguros e progressistas do Mundo, os nórdicos. Isto é, apesar de Portugal ser considerado mais seguro que a maioria dos países nórdicos e de, não sei se paradoxalmemte, ter mais polícia que eles, assiste hoje -- e há anos! -- a uma campanha histérica dos políticos da oposição e da comunicação social -- principalmente desta -- contra os "níveis galopantes" de crime e insegurança no país.

Pelo negócio, pelo monopólio, por um admirável Mundo novo, o jornalismo da treta e os big shows sensacionalistas sabem o que têm a fazer. E, atenção, fazem-no bem.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Opções (ou porque somos tão pequenos)

Este é o pensamento político que temos:

  • estádios de futebol, hoje às moscas;
  • TGV;
  • novo aeroporto;
  • nova ponte;
  • auto-estradas onde, na maioria dos casos, bastaria criar estradas com bom piso, prevendo "variantes" que as desviassem das localidades;
  • etc, etc.
A quem, na verdade, serve tudo isto? Portugueses, pensem: a quem vai servir o TGV?
  1. Aos fabricantes de material ferroviário (e aos seus agentes internos, sob a forma de "luvas");
  2. Ás construtoras de obras públicas e... ;
  3. Claro, aos bancos que vão financiar a obra!
Os portugueses ficarão -- uma vez mais -- endividados durante décadas por causa de mais uma obra megalómana.

Experimentem ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos Alfa por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros. A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demora cerca de cinco horas.

Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem, perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza. A resposta está
  • na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior;
  • nos seus museus e escolas de arte;
  • nas creches e jardins-de-infância em cada esquina;
  • e nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.
Percebe-se bem porque
  • não construíram estádios de futebol desnecessários;
  • não constroem aeroportos em cima de pântanos;
  • nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem /custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo. É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França, Alemanha e Espanha e, embrionário, segundo o eixo longitudinal da Itália (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos
  • na Noruega;
  • na Suécia;
  • na Holanda;
  • e em muitos outros países bem mais ricos do que este "quintal" mal gerido.
Tirar 20 ou 30 minutos ao Alfa Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, será um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:
  • 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma);
  • mais 1000 (mil) creches (a 1 milhão de euros cada uma);
  • mais 1000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).
E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências como, por exemplo, na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Adaptado de Anovis Anophelis

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Reacções à invasão da Geórgia

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Parem tudo!

Público: Cavaco Silva interrompe as férias para falar hoje à noite ao país pela televisão

CavaquinhoCaramba pá, eu já tinha coisas marcadas pra logo...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

The Great Firewall of China

Mas não há problema. O circo vai continuar, como sempre, e o negócio está garantido.


Pequim 2008: China vai censurar Internet utilizada pelos media estrangeiros

A China vai censurar a Internet utilizada pelos media estrangeiros durante os Jogos Olímpicos de Pequim, indicou hoje um responsável do comité de organização, recuando numa promessa de garantir liberdade total aos media durante o evento.

"Durante os Jogos Olímpicos, vamos fornecer um acesso à Internet suficiente para os jornalistas", indicou Sun Weide, porta-voz do comité de organização dos Jogos Olímpicos. [...]

Os jornalistas que trabalham no principal centro reservado à imprensa durante os Jogos Olímpicos queixaram-se de não poder aceder aos sites da organização Amnistia Internacional, da BBC, da rádio alemã Deutsche Welle, bem como dos jornais de Hong-Kong "Apple Daily", e de Taiwan, "Liberty Times".

"A nossa promessa era que os jornalistas pudessem dispor de Internet para o seu trabalho durante os Jogos Olímpicos. E nós concedemos acesso suficiente para isso", acrescentou Sun.

No entanto, o comité de organização dos Jogos Olímpicos, sob pressão do Comité Olímpico Internacional (COI), prometeu um acesso completo à Internet para os milhares de jornalistas na China durante o evento, entre 8 e 24 de Agosto. [...]

(Público)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Parabéns, Madiba

Talvez seja mau hábito, mas há muito que me acostumei a olhar Nelson Mandela com um aperto na alma, um misto de ternura e medo. Acho que, mesmo inconscientemente, já me assusta aceitar que um dia este homem único nos deixará. Sim, desenganem-se, não há mais como ele. Gandhi houve só um, durou pouco, não deixou linhagem. Mandela há só um, também. Um homem, um mortal, mas tão grande que já não cabe no seu país. No seu país, um que, apesar de tudo, creio que é hoje um lugar melhor para se viver.

Nelson Mandela é só, assim de repente, o único político honesto que eu conheço, neste tempo em que reinam os mentirosos e os assassinos. Um exemplo de tenacidade e de luta, mas sobretudo de integridade e decência. Como o mundo precisava de mais pessoas como ele!

O Madiba faz hoje anos. Longa vida ao Madiba!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Sim

No meu país as pessoas não são livres. No meu país as pessoas não decidem, excepto sobre aquilo que não pode fazer sombra àqueles que mandam no meu país. Eu não acredito no meu país. Não acredito na sua História, nascida do belicismo de um bárbaro ambicioso, glorificada pela submissão de seres humanos que queriam ser livres e pelo saque do seu pão. Não posso acreditar numa Humanidade com memória selectiva, quanto mais num país assim. Eu não acredito naqueles que nos tentam fazer acreditar que governam o meu país. Eu não aceito sequer que poderei alguma vez ser livre enquanto deixar que me governem. Eu não acredito no meu país.

Este não é o meu país. O meu país são as alvoradas soalheiras que há tanto não via, pois me perdia, horas antes, na madrugada da decepção. Na embriaguez de decepção que é o meu país. O meu país é o lugar onde se abraçam o Mondego e o Amazonas. O meu país é aquele abraço, ora firme, ora terno, o meu país é o sorriso depois de um beijo roubado a quem se ama.

O meu país não é livre. Eu não acredito no meu país. Mas, por um bocadinho de liberdade, de bom senso, de decência, por um niquinho que seja de utopia, eu vou votar. Só desta vez, eu vou votar. Sim!

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Liberdade de expressão

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Constituição Europeia

Alguém sabe o que é a mui falada Constituição Europeia? Numa perspectiva didáctica, dêem uma espreitadela a esta apresentação (PowerPoint). Talvez ajude um pouco.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...