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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Porque duram os produtos electrónicos cada vez menos?

Primeiro, um palavrão, para quem não souber: obsolescência diz-se daquilo que é obsoleto, ou antiquado, daquilo que cai em desuso.

Sobre um tema do qual muitos de nós, intuitivamente, nos damos conta, A História Secreta da Obsolescência Planeada é um documentário que mostra como os empresários industriais, postos perante a necessidade de motivar o consumo, optaram por fabricar produtos de pior qualidade, obrigando os consumidores a terem de adquirir novos, mais regularmente. Esta estratégia foi (e é) conseguida através de acordos secretos entre concorrentes, os chamados carteís, à margem dos cidadãos, dos governos e das leis.

Porque duram os produtos electrónicos cada vez menos? Como é que em 1911 uma lâmpada teria uma duração certificada de 2.500 horas e cem anos depois a sua vida útil se tenha reduzido a metade?
Este filme franco-catalão, que vos apresento na íntegra (com legendas em português), além de uma análise histórica, aborda vários exemplos da indústria do desperdício e da exploração do consumidor, bem visíveis no nosso dia-a-dia, desde a impressora caseira que se recusa a imprimir, até à célebre história da (des)evolução das lâmpadas de filamentos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Espamação precoce

Raras vezes tive o privilégio (ou a paciência) de contemplar o engenho dos laboriosos spammers [1] que diariamente me enchem a pasta do spam com porcaria. É uma pena, digo-o com sinceridade, porque há ali tesouros incríveis. Lamentavelmente, há muito que nem sequer abro esse tipo de mensagens; o meu programa de email é bastante eficaz a separar o trigo do joio.

Hoje, no entanto, um título chamou-me a atenção:

{Ola|Bom dia} , Um cargo com um {salario|lucro} alto

"Lindo! O gajo largou-se", pensei. De facto, estava perante uma mensagem enviada por engano, formatada para ser lida, não por mim, mas por um programa de computador que seleccionaria (de forma aleatória?) várias expressões alternativas (entre chavetas e separadas por barras verticais), de forma a que cada email, enviado de forma automática, fosse diferente do anterior. Por exemplo, com o comando "{Ola|Bom dia}" o dito programa escolherá uma das duas, "Ola" ou "Bom dia", e substituirá todo o comando pela expressão escolhida. Simples não é?

Para público regozijo, enquanto salivamos pela versão corrigida, aqui fica esta maravilha de esboço – uma oferta de trabalho num grande banco japonês!

sábado, 18 de junho de 2011

Ícones duma época de sonhos desfeitos

Adore-se ou deteste-se, a maior ilha das Caraíbas é um país especial. Desde a Revolução de Fidel Castro e Che Guevara que Cuba sobrevive à ira do poderoso vizinho do Norte, inicialmente protegida pela URSS, depois quase fora do mundo, num planeta de paradoxos e contrastes. Independentemente das razões históricas e políticas deste isolamento, há algo de notável, que a cada esquina salta à vista do turista: a tremenda capacidade de sobrevivência e o engenho dos cubanos. Tudo é escasso, o que implica que tudo é valioso. Tudo é racionado e nada pode ser desperdiçado. Isto para chegar, como já viram, aos automóves.


Um Plymouth descansa em Havana. Creio que este modelo norte-americano começou a ser produzido no final dos anos 40.

O estafado parque automóvel cubano, na sua maioria, data dos anos 50 e 60. Elegantes espécimes de Ford, Buick, Pontiac, Plymouth, Chevrolet ou Cadillac, os yank tanks, alguns verdadeiros carros de luxo antes da revolução, coexistem agora ruidosa e esforçadamente com os mais rectilíneos e proletários Lada soviéticos ou os Trabant da Alemanha de Leste. Um milagre de longevidade, cujo mérito certamente pertence, em grande parte, aos mecânicos cubanos, bem formados, extremamente poupados e... desenrascados. Basta imaginar, por exemplo, que o belíssimo Plymouth amarelo da foto acima terá, provavelmente, um motor russo!


Perspectiva. Um cintilante carro vermelho visto detrás das grades. Alguém conhece a marca e o modelo?

Mais tarde ou mais cedo, se calhar até mais cedo do que seria de esperar, a inevitável abertura de Cuba acabará por provocar o desaparecimento destas jóias ambulantes das estradas esburacadas da mais bela das ilhas. Ficará a memória e certamente o já vasto registo fotográfico, testemunhas da grandeza destes ícones duma época de sonhos desfeitos e, sobretudo, da grandeza de um povo. Porque tive o privilégio de ver sofrer Cuba, esta é a minha contribuição.


Volkswagen "carocha" vermelho no Malecón.

*

Algumas galerias com fotografias de automóveis cubanos:

domingo, 12 de junho de 2011

Utopia 2.0: entre o sofá e o chicote

O über geek Steve Wozniak revelou que nós, seres humanos, estamos destinados a ser os animais de estimação dos robôs. We're already creating the superior beings, disse. O fundador da Apple acredita que, muito brevemente, todo o trabalho será feito pelas máquinas, we're just going to have the easy life.

*

Entretanto, deste lado do Atlântico, chegam-nos notícias de escravatura. Nada que nos surpreenda ou aflija. Todos sabemos como são construídas as nossas estradas e as nossas pontes, por eslavos e africanos sem documentos nem direitos. Fomos pioneiros nessa indústria, e continuamos fiéis à nobre tradição mercantil, fechando os olhos, desenhando as novas rotas dos escravos. Fazendo História. No sofá.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Palavras sábias

Never, ever approach a computer saying or even thinking "I will just do this quickly".

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Rosa chique

E por falar em consumismo, o Natal está aí. Se tem afinidade com alguém de cabelo loiro e do sexo feminino, e ainda não comprou nada para lhe oferecer, pense nisto (clique para ampliar):


Diga lá se não é lindo? E o cor-de-rosa está na moda! Pois saiba que este pedaço de hardware cheio de glamour, o Keyboard for Blondes foi feito a pensar em loiras, mas não necessariamente burras. Senão vejamos:

  • Atalhos para text messaging (LOL e OMG, p.ex.) e facilidades na digitação de smileys;
  • Denominação mais adequada das teclas. Enter é agora "Yes! I Want It!", o Escape é o "No!" e o Shift passa a chamar-se "Smart Blonde Button";
  • Teclado numérico com pintinhas em vez de algarismos, para facilitar o trabalho das loiras de contabilidade;
  • O fim das teclas de desportos motorizados. Nunca percebi: afinal para que raio serviam aqueles F's todos? Fórmula 1, Fórmula 2, Fórmula 12...? Eu nem sabia que havia tantas! Agora estão lá mas formam a frase "Useless Keys". Toma!
  • Any Key -- um mito urbano, finalmente destruído! Com classe.
E muito mais. Não sendo muito caro, esta original pérola de usabilidade pode muito bem ser a prenda perfeita.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Um guia de fraudes

Quem nunca viu a sua caixa de correio electrónico cheia de lixo publicitário? Pois. Ou supostas mensagens pessoais de amigos brasileiros que não conhecemos? Ou propostas de negócios simplesmente... irrecusáveis? Vá lá, diga lá que nunca recebeu generosos e-mails de pessoas desconhecidas, prometendo quase tudo em troca de uma ninharia? Ah, e aquelas promoções extraordinárias, que às vezes ainda me tiram do sério, do género "a Sony-Ericsson oferece-te um telemóvel se enviares este e-mail para todos os teus amigos"?...

Há um lugar onde a falta de (in)formação encontra a ingenuidade, e é assustadora a quantidade de gente que ainda lá vive.

Por isso, baseada num original australiano, a Direcção-Geral do Consumidor elaborou O Livro Negro dos Esquemas e Fraudes na Net, com o subtítulo Um Guia de Fraudes, Vigarices, Trapaças, Burlas, Intrujices, Logros e Desfalques para Uso do Consumidor. De leitura bastante fácil, recomendo-o a toda a gente, até aos internautas mais experientes - é sempre bom estar alerta e aprender coisas novas. Aos outros, a sua leitura pode ser essencial, não só para evitarem situações manhosas, mas também porque os primeiros já passavam bem sem certos forwards. Leiam, por favor. Qualquer dúvida, perguntem.



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