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a agoirar desde 2004

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Tenta outro dia

Não lhe apetece ler, e logo hoje que esperas passiva como um livro numa estante. Estremeceste quando te tocou no ombro, mas era só a força do hábito, como se lêsse o título na lombada. Tem os olhos cansados. Está farto de histórias com finais previsíveis, e tu perdes para qualquer policial do Le Carré. Falta-te enredo. Tens acção, sobejam-te assomos de ousadia, mas falta-te... poesia!

Até te digo, acho que ele preferia escolher outro livro qualquer às cegas, ou pelo cheiro. Não sei se sabes mas os livros têm cheiros característicos. Tu, por exemplo, és de certeza um livrinho impecavelmente novo, a cheirar a rebuçado de baunilha. Longe, muito longe, dos romances de bolso a cheirar a tabaco, sujos de se darem, do odor libertino do álcool dissolvido em suor e noite, do cheiro a vómito.

Não sei já dizer se ele ainda sabe ler(-te). Qualquer calhamaço insípido sobre a vida sexual das formigas tem agora potencial para te levar a melhor, bastando que tenha marcas de café derramado e vestígios de areia da praia. Acho que ele se deixou perder-te. De modo que hoje não lhe apetece ler. Tenta outro dia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

De férias

O blog do Gato Preto está de férias, por tempo indeterminado. Que me desculpem os vistitantes, mas valores mais altos se alevantam... Até breve!

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

6ª edição do beco

Custou, mas já está. Nova edição do beco, com algum palavreado novo (dois textos e meia dúzia de poemas novos) e, principalmente, uma avalanche de belíssimas fotos na remodelada secção de imagens.

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Bananas

Visualiza uma jaula, espaçosa. No centro há uma escada de acesso a vários apetitosos cachos de bananas. São colocados dentro da jaula, digamos, cinco macacos. Quase de imediato, como era de esperar, um deles sobe a escada e captura parte do banquete.

Agora imagina que os cientistas por detrás desta experiência levam a cabo uma injusta e cruel punição pela ousadia do dito macaco: os quatro restantes primatas são bombardeados impiedosamente com jactos de água gelada, ficando impune o nosso herói. Percebendo que o preço a pagar pelas bananas é alto demais, os macacos desistem de tentar a sorte.

Pouco tempo depois, substituição: um novo macaco, absoluto desconhecedor de todas as peripécias anteriores, é colocado na jaula, e sai um dos primeiros. O incauto precipita-se logo para a escada, mas não chega a subir... É impedido pelos outros quatro que, à cautela, lhe dão uma sovazinha exemplar. Mais vale prevenir.

Mais tarde, é retirado da jaula um dos quatro macacos iniciais, entrando também para o seu lugar um novo forasteiro. A cena ranterior repete-se; à inocente tentativa de subir a escada, segue-se uma valente sova, na qual, claro, participa activamente a anterior vítima.

As substituições sucedem-se até que na jaula restam apenas macacos que nunca sequer viram os temidos jactos de água gelada que originaram esta curiosa ordem social. Isto é, a partir daqui, cada novo macaquinho que entre na jaula é agredido sem saber porquê... Os quatro anfitriões agridem o recém-chegado sem saberem porque o fazem...

E ninguém come as bananas, ninguém sabe porquê...

(Um amigo contou-me esta história. Não sei se aconteceu na realidade, mas que é verosímil, lá isso é. E nem é preciso usar macacos.)

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Quantos poemas tem a noite?

Tenho o estranho prazer de não conhecer esta Sherazade que tão facilmente encanta quem a lê. Que dure mil vezes mil e uma noites este blog:

http://quantospoemas.blogspot.com/



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