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terça-feira, 3 de outubro de 2006

Cinquenta cêntimos

Passava da uma da manhã. Ela esperava, junto à farmácia. Braços cruzados, descontraída mas séria, como quem acaba de chegar à fila de espera de uma repartição pública e, por força do hábito, inicia uma espera resignada.

Ele tinha uma moeda na mão, uma moeda de um euro, e um objectivo em mente: trocá-la por duas de cinquenta cêntimos. Trocava-a, dizia ansioso, por uma que fosse, pois uma apenas lhe faltava para inserir na máquina de venda de preservativos. Abordou-me, como a outros que ali passavam na hora, mas não o pude ajudar.

Depois, cometi o mesmo erro que repetidamente cometo, a asneira que sempre faço quando se impõe apenas seguir sem olhar. Passar sem ver. Agir sem filosofar no disparate. Em suma, pensei. Pensei o seguinte.

Se eu tivesse cinquenta cêntimos, ter-lhos-ia dado. Ele dar-me-ia em troca um euro que, provavelmente, eu aceitaria. Sim, provavelmente, eu aceitaria. De modo que, feitas as contas, ele pagar-me-ia cinquenta cêntimos para dar uma queca com ela. E isso faria de mim... um chulo?!

Estive a cinquenta cêntimos de... ?

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

I can't sleep...

... c'os the world won't wait.


Oasis, The Hindu Times

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Hoje sinto o óbvio

Às vezes sinto que já não sinto, por sentir que o absurdo do que sinto é tão imenso e óbvio. Às vezes já nem acordo, por saber que a noite me anestesia e alivia e embala e eleva e me faz sentir que afinal sinto, sinto, sinto muito. Às vezes minto, mas só a mim mesmo, por acreditar que nenhuma dor é inevitável, que nenhuma saudade chega antes de chegar. Hoje sinto, hoje me evaporo, hoje me esqueço, hoje me lembro. De mim, de ti. Do óbvio.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

We are the real countries

We are the real countries, not the boundaries drawn on maps with the names of powerful men. I know you'll come and carry me out into the palace of winds -- that's all I've wanted, to walk in such a place with you, with friends: an earth without maps. The lamp has gone out, and I'm writing in the darkness.

Michael Ondaatje, The English Patient

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Mock the war



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