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quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Já não há homens?




(fala uma especialista)

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Laranja (não há palavras)

O Tomané é um miúdo despachado, todo radical pá, só visto, atão não é que ele chega noutro dia ao pé duma garina, a Amélia, conheces a Amélia, a chavala nem o conhecia, tás a ver, e ele até nem a curtia, pelo menos que eu saiba, ele andava era atrás duma gaja da nossa turma, uma baixinha caixa de óculos que não lhe ligava nenhuma, mas ele não via mais nada, tava todo doido por causa dela meu, andava há que tempos a ver se ela coisa e tal, percebes, se reagia quando ele se metia com ela, e tal, era só ela estalar os dedos que o Tomané derretia-se todo, mas, népias, o man nunca desistiu da maluqueira mas a mim disse-me que não ia dar em nada, tava resignado, ou lá como se diz, e que com o desgosto ia dar em maricas, vê lá tu, cruzes canhoto, o que as mulheres nos fazem às vezes, mas prontos, eu tava era a falar da Amélia, essa sim, uma garina muita gira e simpática, até muita linda, por acaso, mas prontos, ele chega-se a ela, epá, até me dói a alma a contar isto, como é que é possível, quer dizer, ela não é assim uma gaja fácil, andou há tempos um palhaço qualquer a armar-se que a havia de papar, o gajo até era de Lisboa, e o papá era cheio da massa, ministro, ou o catano, ele fartou-se de a convidar pra isto e pr'aquilo, mas ela nada, só com as amigas e o matulão do primo, sabes, aquele da cabeça rapada, chamam-lhe "skin", mas é sem ele saber, que se ele topa é capaz de se passar, mas isso não interessa, o caso é que o tal puto, o do mercedes, pois, o puto de Lisboa tinha um mercedes, ficou todo lixado com as negas que levou, uma noite apanhou uma bebedeira e andou aí a dizer que ela era lésbica, que o primo a andava a comer, e tal, a sorte dele foi o "skin" não andar por perto, mas foi uma cena triste, ia levando uma tareia dumas gajas amigas dela que lá tavam na discoteca, coza-se, o mulherio ficou em brasa meu, até chispava, mas o Tomané, o Tomané é que me surpreendeu pá, o outro puto nunca mais o vi, pudera, mas o Tomané, prontos, é verdade que ele sempre teve jeitinho pra se meter com as gajas, até com as profes, carago, um dia apanhou aquela profe boazona, lembras-te, a estagiária que dava filosofia, apanhou-a de surpresa à saída do liceu e tunga, deu-lhe um beijo na boca, isto contou-me ele, que eu não vi, mas acredito pá, pois acredito, e ela era tão boa, a malta babava-se toda no Verão, quando ela trazia aqueles vestidos aerodinâmicos, ai meu deus, não há palavras, disse-me o Tomané que a mulher até deixou cair os livros que trazia na mão, ficou toda aparvalhada a pobre, até foi por isso que faltou às aulas três dias seguidos, deve ter andado a desinfectar a língua, ah, ah, ah pois, a língua, o nosso amigo não brinca em serviço, mas a tipa depois disfarçou bem, a malta toda sabia, que aquele sacana contou a toda a gente, a turma toda a rir-se, até as gajas, mas ela sempre a fazer-se de novas, não se passa nada, cum carago, até parecia que não tinha comido um linguado do nosso herói, do Tomané, depois ainda houve quem insinuasse que ele tava na tanga, invejosos do caraças, ele se quisesse até a levava prá cama, que é menino pra isso e até mais, a espiga é que ele gosta é de miúdas mais simples, assim mais pró intelectual, inteligentes, tás a ver, que digam umas merdas complicadas à frente dos velhotes, pra meter respeito, malucas não é muito com ele, ah sim, que aquela era muito Sócrates e Descartes, mas vai-se a ver e é mais Freud que outra coisa, parece muito atinadinha mas deve ser uma ganda tarada, ui ui, ó pá nem te digo nada, só sei que o Tomané se passou, mas isso já foi anteontem meu, que eu tava lá e ouvi, prontos, tava um chinfrim do caneco que não se ouvia um cú d'olho, mas eu percebi na mesma, quer-se dizer, conheço o gajo há tanto tempo que nem preciso de o ouvir pra saber o que ele diz, e foi "laranja", o bacano chega ao pé da Amélia, ela toda gira, de mini-saia, ufa, um espanto, sorri pra ela e diz "laranja", só isto pá, mai nada, só te conto, a gaja ficou muito séria a olhar pra ele, ele a olhar pra ela, isto foi praí dois minutos, sem exagero, depois a gaja desata a rir que nem uma perdida, altas gargalhadas, parecia uma maluquinha, ficou tudo a olhar pra ela, e ela ria, ria, ria, não parava, que cena marada, o Tomané muito sério, sempre a olhar pra ela, com aquele olhar à gato das botas, não sei se tás a ver, só corou um bocadinho, e foi só do lado esquerdo, quando ela lhe espeta um chapadão, até fez eco, até a mim me doeu, mas o gajo tinha-os lá, continuou teso, a desafiá-la, ela tentou resistir, mas desatou logo a chorar, até dava a ideia que eles se conheciam meu, mas não, nunca tinham falado, eles são de turmas diferentes, e ela nem é de cá, se isto tem alguma lógica, diz-me lá se isto tem ponta por onde se lhe pegue, claro que ele consolou-a logo, ai não, chama-lhe burro, estiveram abraçados um bom bocado, ele só a acariciava, não dizia nada, não disse uma puta duma palavra, ela é que lhe dizia umas coisas baixinho, a soluçar, não dava pra perceber, eu também não tava ali pra controlar a vida do rapaz, bolas, afinal ele é meu amigo, tem que haver algum respeito, e tal, mas entretanto ela parou a choradeira, acalmou, e adivinha, ficaram os dois cromos, o Tomané e a Amélia, sentados, de mãos dadas, pasmados, a olhar um pró outro como se estivessem a ver alguma maravilha, parecia que a coisa que cada um mais gostava na vida eram os olhos do outro, já não diziam nada, ele também não tinha dito a ponta dum corno, só disse uma vez "laranja", não entendo, estariam a falar por telepatia, ou aquilo era bruxedo, não sei, a verdade é que nunca mais descolaram desde essa hora, eu fico parvo, andou aí o betinho do mercedes e esforçar-se e nada, o Tomané chega lá, diz "laranja", e, não há palavras, eu fico parvo.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Era de esperar

Quanto menos inteligente, melhor!

Um estudo científico publicado esta semana na Alemanha promete dar que falar no mundo da bola. 0 trabalho feito pelo professor Oliver Honer, da Universidade de Mogúncia, diz que quanto menos inteligente for um jogador... melhor. "A inteligência é uma incapacidade notória para um futebolista durante um jogo. Ter um coeficiente intelectual baixo é benéfico para os jogadores, sobretudo para os avançados, cujas decisões não têm nada a ver com a inteligência", diz o estudo, que termina com um exemplo: "Por isso Rooney é um bom jogador".


in Jornal 24 Horas, 27-07-2005

terça-feira, 14 de junho de 2005

De mãos vazias



Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de vós de mãos vazias.

~ * ~

Nos últimos dias mal tenho ligado a televisão ou o rádio. Também raramente tenho lido notícias na web. De modo que no Domingo passado fui surpreendido na rua pelas capas dos jornais: tinha falecido um homem de que poucos ainda se lembram, Vasco Gonçalves um revolucionário de Abril. Um homem com causas, com ideais. Pode ter cometido erros, mas fez o que achava melhor para um povo, não para uma elite, ou para uma estatística. Um homem que, do pouco que sei dele, me parece muito, muito longe da tralha de gente oportunista que me enjoa sempre que vejo telejornais.

Hoje levantei-me tarde. Cheguei à rua, vi as manchetes e pensei que estava a sonhar. Era surreal: Álvaro Cunhal num jornal, Eugénio de Andrade noutro... e assim sucessivamente. De tal forma que fiquei baralhado. Carago, afinal quem é que morreu hoje?

Morreram os dois. O Cunhal não era flor que se cheirasse. Supremo guardião da verdade absoluta, dono da chave dos portões que dão para os amanhãs que cantam, admiro-o só pela dedicação à "sua" utopia. Respeito-o. Morreu o homem, um dia destes morrerá o "seu" partido, e não haverá então nenhuma bandeira a meia haste.

O Eugénio, permitam-me que lhe chame "o Eugénio", é só o maior poeta que eu já li. Leiam, também, peço-vos. Aqui, noutros sites, numa biblioteca, numa livraria, onde quiserem, mas leiam-no todo. Estou sem palavras. Nestas alturas, perdoem-me @s jovens que leiam isto, sinto-me assustado e penso: quando estes gajos morrerem todos, vou ficar sozinho no mundo com esta juventude idiota?...

~ * ~


O outro sabia.
Tinha uma certeza.
Sou eterno, dizia.

Eu não tenho nada.
Amei o desejo
com o corpo todo.

Ah, tapai-me depressa.
A terra me basta.
Ou o lodo.


(Quase epitáfio, por Eugénio de Andrade. Os versos que começam este artigo são também dele, e neles ousei alterar uma palavra, para os poder dedicar aos três homens que faleceram. Aqui está a versão original do Poema para o meu amor doente.)

domingo, 12 de junho de 2005

Estudo sobre os seios

Olhar para fotos não conta! Um dos muitos mails que circulam pela rede, refere um estudo científico que, apesar de ser pura invenção de alguma mente inspirada (.)(.), merece, pelo menos, um sorriso. Diz assim:

Contemplar o peito das mulheres, é bom para a saúde dos homens, e ajuda-os a viver mais tempo, foi o que revelou um estudo realizado por um grupo de pesquisadores alemães. Eles descobriram que olhar fixamente cada dia, durante 10 minutos os seios de uma mulher, é tão benéfico como uma boa meia-hora de exercícios físicos. Este estudo, que foi realizado durante 5 anos num grupo de 200 homens voluntários, demonstrou que todos aqueles que aproveitaram o espectáculo entusiasmante de belos seios femininos, sofrem menos de doenças cardio-vasculares, e têm menos problemas de hipertensão do que os que não olharam para os seios de mulheres todos os dias.

O Dr. Karen Weatherby, que dirigiu os estudos, afirmou que "olhar para os seios de uma bela mulher durante 10 minutos cada dia é o equivalente a uma meia-hora de aérobica. A excitação sexual aumenta a frequência cardíaca, e é benéfica para a circulação do sangue. Nós pensamos que, com uma prática diária, os homens podem aumentar a esperança de vida em, pelo menos, 5 anos."



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