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quarta-feira, 10 de maio de 2006

Mensagem

Acorda-me, que esqueci a Primavera. Acorda-me que se foi o sonho, que apenas durmo, suado dum estio que não quis, leve de um vazio tão dolorosamente lúcido. Empurra-me, quando me achares junto ao abismo. Descansa, esperarei por ti no fundo, bem no fundo, cansado de ser deus na terra dos homens, embriagado de ânsia, qual última gota no fundo da garrafa.

Acorda-me, acorda-me agora, violenta-me agora, ou deixa-me. Deixa-me morrendo. Calmo. Morno. Ao colo da eternidade.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Palavras sábias

"É sem dúvida mais fácil enganar uma multidão do que um só homem."

Citação de Heródoto

sábado, 22 de abril de 2006

Not a prayer

Da revista NewScientist de 8 de Abril de 2006, pág. 6
Tradução do Gato Preto

Rezar pelos outros pode dar-lhe esperança, mas não vai ajudá-los a recuperar de uma cirurgia ao coração. Pode até prejudicá-los. Este é o surpreendente resultado de uma experiência de vários anos sobre os efeitos terapêuticos da oração.

Herbert Benson e Jeffrey Dusek do Mind/Body Medical Institute no Beth Israel Deaconess Medical Center em Chesnut Hill, Massachusetts, e os seus colegas, seguiram os destinos de 1802 pacientes sujeitos a operações coronárias. Vários grupos cristãos de oração rezaram por um grupo de pacientes, enquanto outro não recebeu nenhuma oração. Embora todos estes pacientes soubessem que estavam a ser testados, nem eles nem os seus médicos sabiam em que grupo estavam.

As orações não causaram nenhuma diferença detectável. Descobriram os pesquisadores que no primeiro mês após a cirurgia, 52 por cento dos pacientes "orados" e 51 por cento dos "não-orados" sofreram uma ou mais complicações (American Heart Journal, vol.151, p.934).

Um terceiro grupo de pacientes recebeu as mesmas orações que o primeiro grupo, mas foi-lhes dito que estavam a rezar por eles. Destes, 59 por cento sofreram complicações -- significativamente mais do que os pacientes deixados na incerteza sobre se estavam a ser alvo de oração.

Os pesquisadores não têm explicação para este resultado, mas Mitchell Krukoff da Duke University School of Medicine em Durham, Carolina do Norte, sugere que o fardo de saberem que estavam a rezar por eles pode ter colocado mais stress sobre estes pacientes depois da cirurgia.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Palavras sábias

"Guardei a minha consciência num frasquinho transparente.
Para que veja o que consigo fazer sem ela."

Achei esta frase aqui.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Silenciosa e quase ausente


Não a procures em nenhum livro, ela só existe aquém do teu olhar profundo e vazio. A revolução só abençoa os persistentes. Ouve, ouve o riso cruel que ela oferece aos heróis do imediatamente, e nunca mais esqueças a sua ingratidão. Qualquer criança sabe: a rosa deve ser colhida com cuidado.

Contempla-a antes de lhe tocares, estuda-a, deleita-te com a sua beleza, deixa-te hipnotizar, embebeda-te até à loucura, mas lembra-te que és pequeno. Tão ridiculamente pequeno. É inútil seduzi-la, a revolução não sabe o que é o desejo. A revolução nunca amou ninguém. É apenas fria, apenas justa. Só recompensa os que vivem para ela. Só tolera os pacientes, ou às vezes nem esses.

A revolução não mora no livro de História, nem no cano da espingarda. Ela espera, silenciosa e quase ausente, no olhar dos seres humanos.

Se conseguires, por um momento que seja, acender o brilho dos olhares à tua volta, terás um vislumbre, só isso, do maravilhoso que virá. Se tu quiseres. E que tu, mortal, talvez não chegues ver. Mas, por um breve momento, terás a tua pequena revolução.



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