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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

O século do povo não dura só 100 anos

Unidos por uma mudança global, milhões de pessoas em todo o mundo desfilaram em protesto, exigindo... democracia! A comunicação social, em negação, vai dando relevo àquilo que considera essencial – as birras da PSP na escadaria do Parlamento, os confrontos de uma dúzia de pessoas com a polícia italiana, ou os golos do Benfica contra o Portimonense. Enquanto isso, lá fora, a realidade mostra-nos que a História é imprevisível, imparável, subtil, e que o século do povo pode não ter terminado ainda.

No passado sábado, pela primeira vez nesta escala e com este grau de convergência, um movimento de protesto planetário fez com que milhões de cidadãos saíssem à rua, mobilizados por palavras de ordem inimagináveis há bem pouco tempo como revolução, e colocando em hipótese heresias como consciência cívica, desobediência civil ou democracia directa. Apenas palavras, mas valiosas palavras, pois ecoaram por todo mundo e delas, não tenham dúvidas, resultarão consequências. O futuro dirá se será esta geração a pôr em prática a reforma dum sistema que, ferido, se tornará cada dia mais perigoso.


Álbum fotográfico da manifestação. Lisboa, 15 de Outubro de 2011

Em Lisboa, estima-se que terão estado nas ruas, entre o Marquês de Pombal e São Bento, cerca de 100 mil pessoas – uma pequena parte dos milhões que, por toda a Terra se cansaram do silêncio e, pela primeira vez na História, se vão dando conta de que há problemas comuns a resolver.

História. Planeta. Coisas grandes, com maiúsculas. Coisas que fazem um estrondo enorme quando caem no chão. Qualquer que seja nosso lado da barricada, será sensato tomarmos isto como um primeiro aviso sério.

Entretanto, façamos de conta que mantemos a calma e circulemos. Devagar, quer se goste ou não, o mundo vai mudando. E nada se repete.

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Lembradura

Só uma lembradura, dirigida apenas a quem não acha que está tudo bem (os outros ainda têm muita austeridade pela frente até ganharem juízo):

Cartaz 15 de Outubro
15 de Outubro a Democracia sai à rua!
Mais detalhes:

Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

'Start a business, not a startup'

Partilho convosco um pequeno texto sobre essas coisas fabulosas que o mundo (um certo mundo, enfim) colocou num pedestal – as startups. O livro, já agora, é excelente, tanto pela forma leal como nos relata a experiência dos autores, como pela pertinência com que põe em causa o seguidismo das nossas empresas.


... que é como quem diz vai mazé trabalhar, ó...
Ah, the startup. It's a special breed of company that gets a lot of attention (especially in the tech world).

The startup is a magical place. It's a place where expenses are someone else's problem. It's a place where that pesky thing called revenue is never an issue. It's a place where you can spend other people's money until you figure out a way to make your own. It's a place where the laws of business physics don't apply.

The problem with this magical place is it's a fairy tale. The truth is every business, new or old, is governed by the same set of market forces and economic rules. Revenue in, expenses out. Turn a profit or wind up gone.

Startups try to ignore this reality. They are run by people trying to postpone the inevitable, i.e., that moment when their business has to grow up, turn a profit, and be a real, sustainable business.

Anyone who takes a "we'll figure out how to profit in the future" attitude to business is being ridiculous. That's like building a rocket ship but starting off by saying, "Let's pretend gravity doesn't exist." A business without a path to profit isn't a business, it's a hobby.

So don't use the idea of a startup as a crutch. Instead, start an actual business. Actual businesses have to deal with actual things like b Ils and payroll. Actual businesses worry about profit from day one. Actual businesses don't mask deep problems by saying, "It's OK, we're a startup." Act like an actual business and you'll have a much better shot a: succeeding.


FRIED, Jason. HANSSON, David. Rework. Crown Business, 2010, p. 56-57.

Sábado, 2 de Julho de 2011

Ingenuidade (da taxa e do tacho)

Permitam-me uma ingenuidade.


High Voltage, por LordMeltdown

Por que raio estamos a pagar à EDP para nos cobrar um imposto? Não é suposto ser o Estado a fazê-lo? Para quê pagar a um intermediário? Isto para não falar na injustiça (ou até na ilegalidade) da mesma, que me parece gritante. Cito, a propósito, o Quintus (num artigo onde desmistifica as já famosas mensagens de e-mail sobre o cancelamento da tal "contribuição para o áudio-visual"):
É claro que a taxa em si é absurda… não só a RTP1 tem publicidade, como o seu serviço público (de qualidade duvidosa) devia ser financiado diretamente (totalmente) pelo Orçamento de Estado, não por uma dupla tributação mascarada como “taxa audiovisual”.
No entanto, os nossos governantes não são pessoas normais, possuem uma inteligência superior, portanto a roubalheira continua, e reparem como, em plena (suposta) crise, o governo anterior, em vésperas de cair, foi célere em... aumentar a despesa pública.

Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Nobrezas


Don Vito Corleone, por Mick Baltes (http://mickbaltes.de/blog/)

Ouvi dizer que Fernando Nobre (FN) não foi eleito presidente da Assembleia da República (AR) por falta de... experiência política. No entanto, é um dos poucos deputados que se pode gabar de ter sido sufragado directamente pelos cidadãos portugueses e, diga-se, com invejáveis resultados (16% nas presidenciais), além de ter sido cabeça de lista nas últimas eleições, também com sucesso. FN é um dos poucos deputados que são minimamente conhecidos pelos portugueses, e é também um dos poucos que não fizeram do partidarismo vida, um dos cada vez menos que fizeram algo na vida a que se possa chamar trabalho. Pois.

Por falar nisso, será que os bem-intencionados cinco milhões e meio de votantes das legislativas conhecem o curriculum vitae de Passos Coelho?

*

FN, o puro, o independente, o apartidário, após de concluir que "se não os vences, junta-te a eles", juntou-se aos vencedores. Ainda acabado chegar ao centrão, à ganância, quis ser tachista-mor e fez depender o seu mandato de deputado da eleição como presidente da AR. Previsivelmente, a máquina partidária castigou-o. Cabisbaixo, FN deu o dito por não dito e afinal fica em São Bento. [1] As máquinas partidárias, como qualquer organismo do Estado, sabem bem quem são os seus. São precisos alguns anos de submundo para se chegar a capo...

Não se é da famiglia de um dia para o outro. O homem tinha mesmo falta de experiência política.

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[1] Actualização, 4 de Julho de 2011:
Pensando bem, gostou muito de estar ao lado do "senhor doutor Pedro Passos Coelho", mas afinal não fica.



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