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segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Laranja (não há palavras)

O Tomané é um miúdo despachado, todo radical pá, só visto, atão não é que ele chega noutro dia ao pé duma garina, a Amélia, conheces a Amélia, a chavala nem o conhecia, tás a ver, e ele até nem a curtia, pelo menos que eu saiba, ele andava era atrás duma gaja da nossa turma, uma baixinha caixa de óculos que não lhe ligava nenhuma, mas ele não via mais nada, tava todo doido por causa dela meu, andava há que tempos a ver se ela coisa e tal, percebes, se reagia quando ele se metia com ela, e tal, era só ela estalar os dedos que o Tomané derretia-se todo, mas, népias, o man nunca desistiu da maluqueira mas a mim disse-me que não ia dar em nada, tava resignado, ou lá como se diz, e que com o desgosto ia dar em maricas, vê lá tu, cruzes canhoto, o que as mulheres nos fazem às vezes, mas prontos, eu tava era a falar da Amélia, essa sim, uma garina muita gira e simpática, até muita linda, por acaso, mas prontos, ele chega-se a ela, epá, até me dói a alma a contar isto, como é que é possível, quer dizer, ela não é assim uma gaja fácil, andou há tempos um palhaço qualquer a armar-se que a havia de papar, o gajo até era de Lisboa, e o papá era cheio da massa, ministro, ou o catano, ele fartou-se de a convidar pra isto e pr'aquilo, mas ela nada, só com as amigas e o matulão do primo, sabes, aquele da cabeça rapada, chamam-lhe "skin", mas é sem ele saber, que se ele topa é capaz de se passar, mas isso não interessa, o caso é que o tal puto, o do mercedes, pois, o puto de Lisboa tinha um mercedes, ficou todo lixado com as negas que levou, uma noite apanhou uma bebedeira e andou aí a dizer que ela era lésbica, que o primo a andava a comer, e tal, a sorte dele foi o "skin" não andar por perto, mas foi uma cena triste, ia levando uma tareia dumas gajas amigas dela que lá tavam na discoteca, coza-se, o mulherio ficou em brasa meu, até chispava, mas o Tomané, o Tomané é que me surpreendeu pá, o outro puto nunca mais o vi, pudera, mas o Tomané, prontos, é verdade que ele sempre teve jeitinho pra se meter com as gajas, até com as profes, carago, um dia apanhou aquela profe boazona, lembras-te, a estagiária que dava filosofia, apanhou-a de surpresa à saída do liceu e tunga, deu-lhe um beijo na boca, isto contou-me ele, que eu não vi, mas acredito pá, pois acredito, e ela era tão boa, a malta babava-se toda no Verão, quando ela trazia aqueles vestidos aerodinâmicos, ai meu deus, não há palavras, disse-me o Tomané que a mulher até deixou cair os livros que trazia na mão, ficou toda aparvalhada a pobre, até foi por isso que faltou às aulas três dias seguidos, deve ter andado a desinfectar a língua, ah, ah, ah pois, a língua, o nosso amigo não brinca em serviço, mas a tipa depois disfarçou bem, a malta toda sabia, que aquele sacana contou a toda a gente, a turma toda a rir-se, até as gajas, mas ela sempre a fazer-se de novas, não se passa nada, cum carago, até parecia que não tinha comido um linguado do nosso herói, do Tomané, depois ainda houve quem insinuasse que ele tava na tanga, invejosos do caraças, ele se quisesse até a levava prá cama, que é menino pra isso e até mais, a espiga é que ele gosta é de miúdas mais simples, assim mais pró intelectual, inteligentes, tás a ver, que digam umas merdas complicadas à frente dos velhotes, pra meter respeito, malucas não é muito com ele, ah sim, que aquela era muito Sócrates e Descartes, mas vai-se a ver e é mais Freud que outra coisa, parece muito atinadinha mas deve ser uma ganda tarada, ui ui, ó pá nem te digo nada, só sei que o Tomané se passou, mas isso já foi anteontem meu, que eu tava lá e ouvi, prontos, tava um chinfrim do caneco que não se ouvia um cú d'olho, mas eu percebi na mesma, quer-se dizer, conheço o gajo há tanto tempo que nem preciso de o ouvir pra saber o que ele diz, e foi "laranja", o bacano chega ao pé da Amélia, ela toda gira, de mini-saia, ufa, um espanto, sorri pra ela e diz "laranja", só isto pá, mai nada, só te conto, a gaja ficou muito séria a olhar pra ele, ele a olhar pra ela, isto foi praí dois minutos, sem exagero, depois a gaja desata a rir que nem uma perdida, altas gargalhadas, parecia uma maluquinha, ficou tudo a olhar pra ela, e ela ria, ria, ria, não parava, que cena marada, o Tomané muito sério, sempre a olhar pra ela, com aquele olhar à gato das botas, não sei se tás a ver, só corou um bocadinho, e foi só do lado esquerdo, quando ela lhe espeta um chapadão, até fez eco, até a mim me doeu, mas o gajo tinha-os lá, continuou teso, a desafiá-la, ela tentou resistir, mas desatou logo a chorar, até dava a ideia que eles se conheciam meu, mas não, nunca tinham falado, eles são de turmas diferentes, e ela nem é de cá, se isto tem alguma lógica, diz-me lá se isto tem ponta por onde se lhe pegue, claro que ele consolou-a logo, ai não, chama-lhe burro, estiveram abraçados um bom bocado, ele só a acariciava, não dizia nada, não disse uma puta duma palavra, ela é que lhe dizia umas coisas baixinho, a soluçar, não dava pra perceber, eu também não tava ali pra controlar a vida do rapaz, bolas, afinal ele é meu amigo, tem que haver algum respeito, e tal, mas entretanto ela parou a choradeira, acalmou, e adivinha, ficaram os dois cromos, o Tomané e a Amélia, sentados, de mãos dadas, pasmados, a olhar um pró outro como se estivessem a ver alguma maravilha, parecia que a coisa que cada um mais gostava na vida eram os olhos do outro, já não diziam nada, ele também não tinha dito a ponta dum corno, só disse uma vez "laranja", não entendo, estariam a falar por telepatia, ou aquilo era bruxedo, não sei, a verdade é que nunca mais descolaram desde essa hora, eu fico parvo, andou aí o betinho do mercedes e esforçar-se e nada, o Tomané chega lá, diz "laranja", e, não há palavras, eu fico parvo.

5 comentários:

Perséfone disse...

LOOL
eu ri-me bues, mas ainda nao percebi que raios foi a laranja :S
BUAAAAAAAH

beijinhos gato ***

SweetSerenity disse...

LOL
Vai-se a ver e ela também gostava deles simples. Não é preciso muitas criquices; uma palavra sonante bem dita e tá tudo feito lolol Enfim... também não sei qual o significado de "laranja", mas teve bués de piada a história. Não sei se inventaste, se contaste mesmo uma cena que se passou, mas gostei da maneira como falaste do Tomané. A gente aqui até já se familiarizou com ele e tudo :D
Beijinho*

Gato Preto disse...

Chegamos a um consenso: eu também não percebi. E não percebi se a Amélia percebeu.

Ah, e a cena nã se passou, mas ainda vai a tempo!

Anónimo disse...

Parabéns pela história, simplesmente complexa, mas princípalmente pela maneira como está escrita!

CookieMonster disse...

Bem.... Tu até tens jeito! Muito bem, sim sr.!! :) Acho q os caramelos do gato fedorento se inspiraram em ti para o sketch "A mulher que faz apartes bastante compridos"... lol
Bem, em relação à história propriamente dita, parece-me que já vi isso acontecer várias vezes, parece-me que conheço vários Tomanés e companhia...
A mim o que sempre me faltou também foi a laranja. A laranja sozinha. Porque eu sempre fui daquelas pessoas que falava em salada de fruta, mousse de fruta, compota de fruta, bavaroise de fruta, pudim de fruta, semifrio de fruta, tarte de fruta, crepe com gelado de fruta, e muitas outras formas de fruta...
Mas convenhamos, as mulheres sabem muito melhor o que querem do que nós, e aquilo parecendo que não, aquilo era muita fruta. Eu bem que as aliciava com iguarias, mas há alturas em que elas querem é comer 1 peça de fruta com casca e tudo...
Mas pronto, hoje em dia já só cozinho para quem aprecia...
Bem... desculpa lá o longo escorrimento mental que o teu texto me proporcionou...



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