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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Espamação precoce

Raras vezes tive o privilégio (ou a paciência) de contemplar o engenho dos laboriosos spammers [1] que diariamente me enchem a pasta do spam com porcaria. É uma pena, digo-o com sinceridade, porque há ali tesouros incríveis. Lamentavelmente, há muito que nem sequer abro esse tipo de mensagens; o meu programa de email é bastante eficaz a separar o trigo do joio.

Hoje, no entanto, um título chamou-me a atenção:

{Ola|Bom dia} , Um cargo com um {salario|lucro} alto

"Lindo! O gajo largou-se", pensei. De facto, estava perante uma mensagem enviada por engano, formatada para ser lida, não por mim, mas por um programa de computador que seleccionaria (de forma aleatória?) várias expressões alternativas (entre chavetas e separadas por barras verticais), de forma a que cada email, enviado de forma automática, fosse diferente do anterior. Por exemplo, com o comando "{Ola|Bom dia}" o dito programa escolherá uma das duas, "Ola" ou "Bom dia", e substituirá todo o comando pela expressão escolhida. Simples não é?

Para público regozijo, enquanto salivamos pela versão corrigida, aqui fica esta maravilha de esboço – uma oferta de trabalho num grande banco japonês!

domingo, 3 de junho de 2012

Pure genius – a draft definition

Pure genius – necessary and sufficient conditions:

1. Learn all around you, even if it seems wrong;
2. Then do things differently, even if it seems wrong to others;
3. Work hard;
4. Both 1 and 2 require 3.


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Tradução para português: aqui.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Donos de Portugal

Começa assim:

Imagina-se a consultar a edição de um jornal económico de um futuro longínquo, digamos, 2150? É difícil antecipar o que ali encontraria. Não se adivinha o suporte das notícias, muito menos os protagonistas dos factos.

Pois imagine agora que um seu antepassado, leitor das crónicas de negócios do século XIX, regressava a Lisboa para retomar as leituras. Que espanto sentiria ele ao encontrar os mesmos nomes daquelas grandes famílias que povoavam a Baixa ou a Lapa? Será que ainda vão lá estar em 2150?
Donos de Portugal é um filme de Jorge Costa, baseado no livro de que é co-autor, narrado pelo inigualável Fernando Alves. Pois que muitas estórias de encantar e cousas tantas fascinantes ficam por aprofundar, este é um apenas breve olhar sobre as grandes famiglias que há tanto tempo dominam o poder económico deste país submisso, sobrevivendo às mudanças de regime, sempre com a protecção do Estado. Não deixe de ver, que vale a pena. Está aqui, na íntegra:




Mais informação:

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Um dia tão cinzento

Foi no dia 10 de Outubro de 1999 que votei pela primeira vez numas eleições. Fui um dos pouco mais de cem mil portugueses que, cansados do Centrão pançudo e corrupto, mas desconfiados do monocórdico e pseudo-democrático Partido Comunista, acreditaram num recém-nascido movimento polítco que chamava os bois pelos nomes. Daí para cá, as minhas convicções evoluíram; já deixei de votar e duvido que o volte a fazer nas condições actuais de representatividade. (Sei que muitos não gostam, que defendem uma certa democracia-do-papelinho-de-cinco-em-cinco-anos, mas não reconheço a ninguém o direito de me obrigar a exercer... um direito! Adiante.)

Miguel Portas (1958-2012)
Miguel Portas (1958-2012). © sapo.pt

Um dos que me levaram às urnas em 99 foi Miguel Portas, de quem tenho a dizer que, aparte algumas diferenças ideológicas, sempre foi mais aquilo que nos uniu do que o que nos separou. Na acção e no discurso, cedo o vi como uma personagem à parte, um tipo duma honestidade aparente e duma decência fora do normal entre os políticos. Posso ter-me enganado, até porque nunca o conhecerei pessoalmente, mas isso hoje pouco importa.

Pela influência que teve no meu amadurecimento como cidadão e pelo exemplo de tenacidade e humildade que me inspirou, nesta hora de tristeza para quem lhe foi querido, deixo aqui uma homenagem e um agradecimento ao Miguel, que morreu ontem [1] "em Antuérpia. Na véspera do 25 de Abril que mais dele precisa de quantos 25 de Abril vivemos depois de 1974." [2] Questiono-me agora se o 25 de Abril acabou [3] mesmo ou se apenas ficou mais cinzento.

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Referências:
[1] Notícia no Público.
[2] Artigo de Paulo Querido no Certamente.
[3] Artigo de Rui Eduardo Paes no Bitaites.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O século do povo não dura só 100 anos

Unidos por uma mudança global, milhões de pessoas em todo o mundo desfilaram em protesto, exigindo... democracia! A comunicação social, em negação, vai dando relevo àquilo que considera essencial – as birras da PSP na escadaria do Parlamento, os confrontos de uma dúzia de pessoas com a polícia italiana, ou os golos do Benfica contra o Portimonense. Enquanto isso, lá fora, a realidade mostra-nos que a História é imprevisível, imparável, subtil, e que o século do povo pode não ter terminado ainda.

No passado sábado, pela primeira vez nesta escala e com este grau de convergência, um movimento de protesto planetário fez com que milhões de cidadãos saíssem à rua, mobilizados por palavras de ordem inimagináveis há bem pouco tempo como revolução, e colocando em hipótese heresias como consciência cívica, desobediência civil ou democracia directa. Apenas palavras, mas valiosas palavras, pois ecoaram por todo mundo e delas, não tenham dúvidas, resultarão consequências. O futuro dirá se será esta geração a pôr em prática a reforma dum sistema que, ferido, se tornará cada dia mais perigoso.


Álbum fotográfico da manifestação. Lisboa, 15 de Outubro de 2011

Em Lisboa, estima-se que terão estado nas ruas, entre o Marquês de Pombal e São Bento, cerca de 100 mil pessoas – uma pequena parte dos milhões que, por toda a Terra se cansaram do silêncio e, pela primeira vez na História, se vão dando conta de que há problemas comuns a resolver.

História. Planeta. Coisas grandes, com maiúsculas. Coisas que fazem um estrondo enorme quando caem no chão. Qualquer que seja nosso lado da barricada, será sensato tomarmos isto como um primeiro aviso sério.

Entretanto, façamos de conta que mantemos a calma e circulemos. Devagar, quer se goste ou não, o mundo vai mudando. E nada se repete.



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